Governo Federal sofre derrota no Congresso com derrubada do IOF. Lula cobra justiça fiscal e busca realinhar base governista

  • 26/06/2025

A derrubada do decreto presidencial que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) expôs a maior derrota do governo Lula (PT) em seu terceiro mandato no Congresso Nacional. Uma articulação entre os presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado) resultou na derrota do Governo Federal, que evita fazer cortes em programas sociais como deseja a extrema-direita.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, o cearense José Guimarães (PT), avalia que é hora de uma recomposição ampla da base aliada no Congresso Nacional. Ele reconheceu que a articulação política enfrenta problemas estruturais e admitiu lentidão em processos do governo, como a execução orçamentária. 

José Guimarães sugeriu que o governo vai ter que contingenciar recursos e rever gastos. “O governo vai ter que arrochar, vai ter que contingenciar, vai ter que bloquear a todos e a tudo. Isso não significa ameaça de nada. É a realidade da economia”, pontuou.

Ele também defendeu cortes nos chamados “incentivos de exoneração tributária”, que somam R$ 800 bilhões, e ajustes em programas como o AtestMed e o Seguro Defeso, bem como a introdução de biometria no BPC.

O Governo Federal busca realinhar a base governista, mas também ver como vai lidar com a perda de arrecadação. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que o governo federal estuda três possíveis caminhos após a derrubada, pelo Congresso Nacional, do decreto que aumentava a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Segundo ele, a resposta pode ser dada por meio da judicialização da medida, da criação de nova fonte de receita ou de um novo contingenciamento de despesas. “Vai pesar para todo mundo”, alertou.