Governo Lula tenta excluir alimentos e jatos da Embraer do tarifaço de Donald Trump. Cobrança está prevista a partir de sexta-feira

  • 29/07/2025

O Governo Lula tenta esgotar todas as possibilidades de negociação antes do prazo de 1° de agosto para o início da cobrança pelos EUA de 50% sobre os produtos brasileiros. A poucos dias da aplicação de uma sobretaxa, o Governo Lula está em intensas negociações para excluir itens essenciais do tarifaço imposto por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e empossado para seu segundo mandato em 2025.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, tem dialogado diretamente com Howard Lutnick, secretário de Comércio dos EUA, em uma tentativa de proteger, principalmente, o setor de alimentos.

O Brasil é um gigante global na produção e exportação de suco de laranja, destinando 95% de sua produção ao exterior, com 42% desse volume seguindo para os Estados Unidos. O país também se destaca como o principal fornecedor de café para o mercado norte-americano, tendo exportado 2,87 milhões de sacas para os EUA entre janeiro e maio de 2025, o que representa 17,1% de todo o volume exportado pelo Brasil, de acordo com dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Além dos produtos agrícolas, o governo brasileiro busca a exclusão das aeronaves fabricadas pela Embraer, cuja aviação regional nos Estados Unidos é um de seus mercados mais importantes. Um dos argumentos para a isenção é o fato de a Embraer importar peças dos EUA, o que criaria um impacto mútuo na cadeia produtiva.

Lula diz estar disposto a conversar diretamente com o presidente Donald Trump sobre o tarifaço anunciado contra produtos brasileiros. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Lula não se opõe ao diálogo, mas avalia que a conversa só ocorrerá se Trump atender pessoalmente a ligação. E outra: não vai abrir mão da soberania brasileira no que trata das terras raras, nem do andamento do processo no STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).