Bolsonaro, Eduardo e Silas Malafaia se tornam alvos da PF por interferência na trama golpista. Ex-presidente articulou fuga e pedido de asilo na Argentina

  • 21/08/2025

Às vésperas do início do seu julgamento no STF em 2 de setembro, a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro só piora. Nesta quarta-feira, dia 20 de agosto, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e um dos filhos dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, por tentarem interferir no julgamento da trama golpista. Outro alvo da PF foi o pastor Silas Malafaia. Ele não foi indiciado, mas teve o celular e o passaporte apreendidos.

A investigação reúne indícios, como mensagens e áudios, que revelam, segundo os policiais, uma tentativa de coagir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para livrar o ex-presidente da ação penal da qual é réu. As conversas estavam nos celulares de Bolsonaro, haviam sido apagadas, mas os peritos conseguiram recuperá-las. O conteúdo, segundo a PF, confirma que Bolsonaro desrespeitava medidas cautelares impostas pelo Supremo de forma intencional.

Foram encontradas mensagens de Bolsonaro planejando um pedido de asilo político na Argentina. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente se manifeste no prazo de 48 horas sobre os reiterados descumprimentos de medidas cautelares impostas pela Corte.

As mensagens no celular de Bolsonaro ainda revelam ofensas entre ele e o filho Eduardo, além de conversas onde Silas Malafaia chama Eduardo de “babaca”. Em outra mensagem, Eduardo dispara contra Bolsonaro: “VTNC, seu ingrato do caralho”.

Todo o contexto revela um racha no bolsonarismo, com o clã Bolsonaro tentando manter o poder da extrema-direita no processo eleitoral de 2026. No entanto, governadores como Ronaldo Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais), Ratinho Júnior (Paraná) e Tarcísio de Freitas (São Paulo) demonstram interesse em ser candidatos à Presidência da República, mas querem contar com o apoio de Bolsonaro.