Tarcísio pressiona Bolsonaro para enquadrar radicais no bolsonarismo e proposta de anistia não avança por falta de consenso na Câmara

  • 30/09/2025

O encontro entre o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, serviu para deixar claro uma coisa: preferido pelo Centrão como candidato da direita em 2026, Tarcísio só vai para o embate com Lula se tiver o aval de Bolsonaro. Por isso, o ex-presidente precisa, desde já, enquadrar o filho Eduardo Bolsonaro e os radicais do PL que não confiam no governador de São Paulo como o nome para substituir Jair Bolsonaro na disputa presidencial.

Eduardo Bolsonaro e aliados insistem na proposta de anistia geral para todos os envolvidos na tentativa de golpe de Estado, incluindo, a recuperação da elegibilidade do pai Jair Bolsonaro. A proposta, a preço de hoje, se mostra sem qualquer viabilidade. Tarcísio anuncia a todos que vai disputar a reeleição para o Governo de São Paulo, mas nos bastidores pressiona Bolsonaro por uma tomada de atitude para não perder o “timing” para o lançamento de uma candidatura de oposição a Lula no momento certo.

Enquanto isso, a tentativa de avançar com uma alternativa à anistia na Câmara dos Deputados não tem consenso entre os líderes partidários. O bolsonarismo só quer anistia geral e o PT não aceita nem revisão das penas dos golpistas condenados. O relator da PEC da Dosimetria, Paulinho da Força, não encontrou respaldo entre os principais partidos e dificilmente a proposta será votada nos próximos dias. O impasse entre governo e oposição esvazia o debate e deixa a proposta fora da pauta de deliberações na Câmara dos Deputados.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, convocou uma reunião para esta terça-feira, dia 30 de setembro, mas mesmo ele reconhece que há pouco espaço para manobras diante da falta de acordo.