Governo Lula prepara bloqueio de emendas parlamentares após derrota no Congresso. Articulação de Tarcísio de Freitas, Antônio Rueda e Ciro Nogueira impediu taxação de bilionários, bancos e bets

  • 09/10/2025

O Governo Lula deve bloquear de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões em emendas parlamentares como forma de compensar a perda de receita prevista para 2026, após a rejeição de uma Medida Provisória (MP) que buscava reforçar o caixa federal. A informação foi confirmada pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). A equipe econômica trabalha com o bloqueio como medida inevitável diante do esvaziamento da MP que previa aumento de tributos sobre bets, fintechs e títulos de crédito.

Por 251 votos a 193, a Câmara decidiu retirar o texto da pauta, um movimento que expôs a força da aliança entre o PL e o Centrão contra o aumento de impostos para os mais ricos. Com a derrota no Congresso, a comunicação do Governo pretende reforçar a comunicação direta com a população. A estratégia é ampliar a ideia de que os “ricos precisam pagar mais impostos para garantir justiça social”. O mote da campanha digital é a chamada “taxação BBB” – bilionários, bancos e bets – contrapondo interesses das elites econômicas às necessidades da classe média e trabalhadores.

A proposta derrotada previa compensar perdas na arrecadação com a suspensão do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). As articulações para derrubar a MP que buscava reforçar o caixa federal partiu do Centrão e da extrema-direita. Entre os protagonistas desse movimento estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que no fundo estão mirando a campanha presidencial de 2026.