Massacre no Rio de Janeiro já supera 130 mortos. Governador Cláudio Castro tentou transferir responsabilidade, mas se posiciona contra a PEC da Segurança
O número de mortos na operação policial nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, subiu para 134 após moradores encontrarem dezenas de corpos em uma área de mata na manhã desta quarta-feira, dia 29 de outubro. A ação, considerada a mais letal da história do estado, foi realizada um dia antes e deixou a comunidade em estado de choque. Os próprios moradores retiraram ao menos 50 corpos da mata, localizada na Serra da Misericórdia, epicentro dos confrontos.
Durante toda a terça-feira, dia 28, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), tentou transferir responsabilidades pelo massacre ao Governo Federal e ao STF. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, negou que Cláudio Castro tenha pedido qualquer ajuda para a operação no RJ. Para uma ajuda federal efetiva, o Governo do Rio de Janeiro teria que solicitar um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que transferiria ao Exército o comando da segurança pública. O que não foi feito.
A repercussão do episódio gerou forte reação política e institucional. A Defensoria Pública denunciou supostas violações de direitos humanos e abusos cometidos durante a operação. O Governo Federal decidiu enviar uma comitiva ao Rio de Janeiro para discutir medidas de segurança pública, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocar uma reunião de emergência com a cúpula ministerial.
A avaliação é que o governador Cláudio Castro tentou tirar proveito político da operação, mas não esperava um resultado tão desastroso com a morte de policiais e pessoas inocentes. De forma contraditória, Cláudio Castro é contra a PEC da Segurança Pública, apresentada pelo Ministério da Justiça para que as forças de segurança nacional possam se unir às polícias estaduais. Governadores bolsonaristas boicotam a proposta.
Diante do massacre ocorrido no Rio de Janeiro, a Câmara dos Deputados antecipou a votação da PEC da Segurança. O Governo Lula pretende usar o episódio para pressionar o governador a apoiar a proposta de emenda constitucional. A avaliação no Planalto é que o caos vivido no estado pode abrir espaço para um pacto político em torno de pontos de consenso.

