Relator de processo contra Carla Zambelli vota para manter mandato da deputada presa na Itália. Sob comando de Hugo Motta, Câmara Federal facilita a vida de deputados foragidos
O deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), relator da ação sobre a perda de mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), anunciou nesta terça-feira, dia 2 de dezembro, voto favorável à manutenção do mandato da parlamentar. O caso foi encaminhado à CCJ pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após o STF (Supremo Tribunal Federal) condenar e determinar a perda de mandato da deputada.
O corporativismo patrocinado por parlamentares do Centrão avança e pode poupar Carla Zambelli com mandato de deputada federal, mas estando presa na Itália. Zambelli está condenada a 10 anos de prisão por invadir o sistema de Justiça; condenada a cinco anos por sacar uma arma e perseguir um homem; está foragida da Justiça; presa na Itália e alvo de pedido de extradição.
Mas a complacência do presidente da Câmara, Hugo Motta, também envolve outros parlamentares que estão foragidos do País. Alvos de decisões do Supremo Tribunal Federal e vivendo fora do Brasil, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) continuam exercendo suas prerrogativas parlamentares e destinaram R$ 80,5 milhões em emendas individuais ao orçamento de 2026.
Mesmo sem atuar na Câmara há meses — Eduardo desde março, após seu autoexílio nos Estados Unidos, e Ramagem desde setembro, quando deixou o Brasil durante julgamento por participação na trama golpista — ambos preencheram integralmente suas cotas de R$ 40,2 milhões cada. As emendas foram aprovadas pelo comitê de admissibilidade da Comissão Mista de Orçamento.

