Copa nos EUA nem começou, mas política migratória de Trump já dá exemplo de preconceito e discriminação contra estrangeiros, sob omissão da Fifa

  • 10/06/2026

A Copa do Mundo nos EUA nem começou, mas o que deveria ser uma oportunidade de congregação e festa entre as nações, já se transforma em um exemplo de preconceito contra delegações e profissionais estrangeiros.
Os Estados Unidos vetaram a entrada do árbitro somali Omar Artan, intensificaram as fiscalizações sobre delegações estrangeiras e geraram fortes impasses diplomáticos às vésperas da Copa do Mundo de 2026.

Em resposta às críticas, a FIFA declarou formalmente que não interfere nas políticas de imigração ou na concessão de vistos dos países-sede, eximindo-se de tomar providências regulatórias contra o governo de Donald Trump.
As restrições migratórias adotadas pela administração Trump colidem diretamente com o princípio de livre acesso tradicionalmente exigido pela entidade esportiva.


O profissional da Somália, eleito o melhor árbitro africano de 2025, seria o primeiro de seu país a apitar uma Copa do Mundo. Artan desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami com um visto válido, mas foi barrado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP).


Membros da comissão técnica e da diretoria da seleção do Irã tiveram vistos negados. Além disso, a cota de ingressos destinados à federação iraniana foi revogada. O time foi obrigado a se hospedar no México e realizar viagens de ida e volta apenas nos dias de jogo.


Jogadores da seleção de Senegal foram retidos e revistados com detectores de metais diretamente na pista de pouso do aeroporto, gerando protestos.


O principal atacante da seleção do Iraque, Aymen Hussein, ficou detido para interrogatório por cerca de sete horas em Chicago, enquanto o fotógrafo oficial da delegação acabou deportado.