Camilo Santana assume liderança do PT no Senado, mas mantém articulação nas campanhas de Lula e Elmano no Ceará
O senador cearense Camilo Santana (PT) assume oficialmente a liderança do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal. A escolha do ex-ministro da Educação foi definida em consenso pela bancada após uma reorganização interna desencadeada pela saída de Jaques Wagner da liderança do governo. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assumiu o posto de liderança do governo, abrindo espaço para que Camilo comande a bancada petista na Casa Alta.
A indicação para liderar o partido, em vez de liderar o governo, foi estratégica. A função de líder da bancada garante maior flexibilidade para que Camilo concilie os trabalhos legislativos em Brasília com as intensas articulações políticas no Ceará, seu principal reduto eleitoral. Com mandato garantido no Senado até 2030, ele não disputará cargo eletivo no pleito de outubro. Isso confere total disponibilidade para atuar como o principal artífice da base governista no estado.
Camilo Santana desponta como o principal coordenador da campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) e tem protagonismo absoluto na montagem da chapa governista. O senador tem viajado a diversos municípios cearenses para unificar o bloco aliado e consolidar palanques municipais estratégicos.
O trabalho de articulação liderado por Camilo e Elmano de Freitas reflete-se na ampla vantagem numérica de prefeitos aliados em solo cearense. A base governista exibe uma musculatura consolidada para a disputa. Elmano de Freitas (PT) conta com o apoio expressivo de pelo menos 178 prefeitos cearenses, enquanto Ciro Gomes (PSDB), principal opositor do grupo situacionista, detém o apoio de apenas seis prefeitos até o momento.
Em Brasília, a missão de Camilo Santana não será simples. À frente da bancada do PT, ele terá o desafio imediato de reaproximar o Planalto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O objetivo central é conter o avanço de “pautas-bomba” e destravar projetos prioritários do governo federal, como a PEC da Segurança Pública e as discussões sobre a jornada de trabalho.

