Flavio Bolsonaro enfrenta impacto destrutivo da linha de frente da sua campanha na agenda feminina após declarações do consultor Paulo Figueiredo
A declaração do analista político Paulo Figueiredo afirmando que mulheres “não sabem votar” disparou uma crise profunda na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A gravidade do episódio não reside apenas no teor misógino da fala, mas no peso político do autor. Figueiredo atua como um dos principais conselheiros estratégicos do pré-candidato, sendo peça-chave na articulação internacional com a ala conservadora da Casa Branca, nos Estados Unidos.
Ao demorar para recriminar publicamente o aliado, Flávio Bolsonaro transformou um erro individual em um desgaste institucionalizado. Esse atraso na resposta gerou prejuízos imediatos e de longo prazo para a sua viabilidade eleitoral.
O eleitorado feminino representa mais da metade dos votantes no Brasil. Hostilizar diretamente essa parcela da população sabota qualquer tentativa de construir uma candidatura majoritária competitiva. O episódio reforça um teto de rejeição que o campo político da direita tradicionalmente luta para romper.
Para vencer uma eleição presidencial, a pré-campanha precisa dialogar com o eleitor moderado e de centro. Declarações que questionam a capacidade cívica e a cidadania das mulheres empurram esse eleitorado decisivo para longe da candidatura de Flávio Bolsonaro, consolidando a imagem da chapa como radical e desconectada das pautas sociais mínimas.
O papel de Paulo Figueiredo como ponte com Washington agrava o cenário. Crises dessa natureza ecoam no exterior e arranham a imagem diplomática da pré-campanha. Setores moderados do governo americano e investidores internacionais evitam associação com lideranças que toleram retrocessos em direitos civis básicos, enfraquecendo as alianças globais que Flávio pretendia ostentar como trunfo.

