Racha no PL isola Eduardo Girão, que lançou pré-candidatura ao Governo do Ceará com a presença de Romeu Zema

  • 07/07/2026

O senador Eduardo Girão (Novo) lançou oficialmente sua pré-candidatura ao Governo do Ceará no último sábado, dia 4 de julho, na Região Metropolitana de Fortaleza, durante a sexta edição do movimento partidário “Ceará Tem Jeito”. O ato de lançamento contou com a participação de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República, que cumpriu uma agenda de três dias no estado para chancelar o palanque da legenda.

O evento consolidou a estratégia do Novo de ter um projeto próprio no Ceará, ao mesmo tempo em que escancarou o isolamento de Girão em relação à estrutura do PL cearense. O senador se distanciou em definitivo da possibilidade de obter o apoio formal da sigla liberal após vir a público uma crise familiar na liderança da direita nacional: a briga entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e seus enteados, em especial o senador Flávio Bolsonaro.

Enquanto Michelle declarou apoio público a Girão por discordar dos rumos de seu próprio partido, o diretório estadual do PL, presidido pelo deputado federal André Fernandes, preferiu ignorar as manifestações da presidente do PL Mulher.

A divisão da oposição cearense ganhará um novo capítulo nos próximos dias. O senador Flávio Bolsonaro é aguardado em Fortaleza na próxima sexta-feira, 10 de julho. Ele participará do ato que lançará o deputado estadual Pastor Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, como pré-candidato ao Senado Federal.

A vinda de Flávio reforça a direção tomada pelo PL local, que optou por selar uma aliança para apoiar a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado. Como contrapartida desse acordo, Alcides Fernandes deve ocupar a vaga de senador na chapa encabeçada pelo pedetista.

O arranjo político é alvo de duras e frequentes críticas por parte de Eduardo Girão. Durante as agendas de sua pré-candidatura, o senador do Novo classificou a aproximação entre o PL e Ciro Gomes como um movimento típico do “centrão” e “oportunista”. Ele questionou publicamente a coerência ideológica do grupo, argumentando que o ex-governador representa a “velha política” e carece de legitimidade para solucionar problemas estruturais do estado, como a crise na segurança pública.

Com o tabuleiro dividido, Girão tenta se posicionar como a única via de direita puramente antagonista ao PT no Ceará, buscando atrair o eleitorado conservador que rejeita a união com o clã Ferreira Gomes.