Sob pressão, Davi Alcolumbre segura pautas de Lula e enfrenta até ameaça de greve de caminhoneiros
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), converteu-se no principal gargalo das pautas prioritárias do Palácio do Planalto, gerando insatisfação generalizada no Governo Federal, em centrais sindicais e em categorias estratégicas. Sob forte blindagem política a poucos dias do recesso parlamentar, o senador retém projetos que impactam diretamente a economia e as relações trabalhistas no país, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a Medida Provisória (MP) do Frete.
O cenário de atrito atingiu o ápice com a reação da categoria dos caminhoneiros. Representantes do setor acusam o presidente do Senado de boicotar um projeto crucial enviado pelo Poder Executivo e já ameaçam paralisar as rodovias do país em uma greve geral de âmbito nacional.
Aprovada com ampla mobilização popular e rapidez na Câmara dos Deputados, a PEC que extingue a jornada de trabalho 6×1 travou completamente ao chegar ao Senado. O texto permanece retido na Mesa Diretora e Alcolumbre sequer realizou o despacho da matéria para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ou definiu um relator.
Nos bastidores, o presidente do Senado sinalizou a interlocutores que não pautará o tema antes das eleições, alinhando-se aos apelos de setores empresariais que temem os impactos econômicos imediatos da redução de jornada de 44 para 40 horas semanais.
O atraso proposital desencadeou fogo amigo dentro do próprio Congresso:Ameaça do PT: O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), deu um ultimato público declarando que elegeria Alcolumbre como “inimigo dos trabalhadores” caso o projeto não avançasse até a próxima semana. Em nota oficial, Alcolumbre rebateu de forma dura, afirmando que a definição da pauta é uma prerrogativa constitucional sua e que “ameaças e tentativas de intimidação não serão toleradas”.
Se a PEC 6×1 desgasta a relação política, a retenção da MP do Frete ameaça desencadear um caos logístico real no Brasil. Editada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março para reforçar a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, a medida foi aprovada pelos deputados federais em junho, mas aguarda votação no plenário do Senado sob o risco iminente de perder a validade no dia 16 de julho.
A demora na votação motivou duras manifestações das lideranças dos motoristas autônomos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o “Chorão”, disparou contra o parlamentar amapaense: “Presidente Davi Alcolumbre, o senhor não queira deixar a MP caducar. O senhor vai segurar uma greve nacional no teu nome.”
A categoria alega que há um “boicote” operado pelo setor patronal e por grandes conglomerados do agronegócio, que usam de influência política no Senado para fazer a MP expirar. Caso caduque, dispositivos que asseguram a autonomia financeira dos motoristas — como o bloqueio digital contra pagamentos abaixo da tabela da ANTT e o adiantamento obrigatório de 70% do frete — deixarão de existir.

