Lula abre campanha rumo ao quarto mandato com resgate histórico no ABC Paulista
No berço de sua trajetória política e sindical, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu o pontapé oficial à sua campanha presidencial para as eleições de 2026. Sob o mote “Lula: onde tudo começou”, o candidato escolheu o emblemático Estádio 1º de Maio (antiga Vila Euclides), em São Bernardo do Campo (SP), para discursar diante de dezenas de milhares de apoiadores. O local foi o palco das grandes greves metalúrgicas do final da década de 1970 que projetaram o petista nacionalmente durante a ditadura militar.
Vestindo branco e utilizando o tradicional chapéu Panamá, Lula fez um pronunciamento de forte teor emocional e político. O candidato relembrou figuras intelectuais que ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT) e evocou referências religiosas para agradecer sua permanência e conquistas na vida pública. “Enquanto eu for vivo, não vou deixar a direita voltar [à Presidência]”, declarou o líder político, polarizando o discurso e reafirmando seu foco em impedir o avanço de grupos opositores ao Palácio do Planalto.
O evento também serviu para ajustar estratégias internas de comunicação da campanha. Após críticas sobre a falta de protagonismo feminino em agendas institucionais anteriores, o palanque foi dominado por discursos de grandes lideranças aliadas, como a primeira-dama Janja, que prestou homenagem à falecida ex-primeira-dama Marisa Letícia, e as ministras Simone Tebet e Marina Silva.
Durante mais de 30 minutos de fala, Lula delineou o que pretende adotar como prioridade em um eventual quarto mandato presidencial. Na segurança pública, fez a defesa do fortalecimento do setor, com destaque para propostas de integração e foco no combate ao crime organizado. Lula propôs educação continuada, com a expansão das vagas de ensino em tempo integral e ampliação do acesso à universidade, pontuando que investir em ensino custa menos que o sistema prisional.
O presidente fez ainda a defesa da soberania nacional e economia com foco na transição ecológica, exploração sustentável de minerais críticos (terras raras) e fortalecimento tecnológico.

