Ministro Flávio Dino abre nova frente contra filme “Dark Horse” e eleva pressão sobre paralisia de André Mendonça no STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar os dados e provas coletados pela Polícia Civil de São Paulo contra a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”. A cinebiografia narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, tomada nesta segunda-feira, dia 24 de agosto, visa aprofundar as investigações sobre o uso irregular de emendas parlamentares para financiar a produção privada.
O avanço célere de Dino contrasta diretamente com o ritmo do ministro André Mendonça. Relator de outro inquérito sobre o longa, Mendonça é alvo de insatisfação nos bastidores devido à paralisia e lentidão na apuração de repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O financiamento de “Dark Horse” dividiu o STF em duas linhas investigativas com perfis de atuação opostos.
A vertente de Flávio Dino (Emendas Parlamentares): Como relator das ações que fiscalizam o repasse de emendas ao redor do país, Dino autorizou a PF a cruzar dados de contratos entre a prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade é gerida pelo mesmo núcleo da produtora do filme. Há suspeita de desvio de finalidade em verbas indicadas por deputados do PL (como Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis), totalizando repasses sob suspeita que abasteceram a obra indiretamente.
A vertente de André Mendonça (Aportes Privados e Banco Master): Mendonça comanda a apuração sobre o envio de mais de R$ 60 milhões por Daniel Vorcaro (ex-CEO do Banco Master) para a cinebiografia. O caso foi aberto após o vazamento de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro cobra esses repasses ao banqueiro. Contudo, interlocutores apontam que o processo de Mendonça segue em “fase inicial”, gerando forte incômodo no campo governista que cobra celeridade sobre as conexões financeiras da família Bolsonaro.
A iniciativa de Flávio Dino dribla a aparente blindagem que cercava o projeto na gaveta de Mendonça. Ao dar acesso às investigações paulistas, Dino permite que a Polícia Federal siga o “caminho do dinheiro” público. O cruzamento de dados pode comprovar se a estrutura cultural financiada pelo Congresso Nacional serviu de fachada para erguer o principal produto de propaganda da oposição para as eleições.

