No Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro silencia sobre rota do dinheiro recebido do banqueiro Daniel Vorcaro e defende ex-PM miliciano

  • 29/08/2026

O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), enfrentou momentos de muita tensão nesta sexta-feira, dia 28 de agosto, durante a rodada de sabatinas do Jornal Nacional, da TV Globo, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. Confrontado sobre o escândalo financeiro do Banco Master, o parlamentar não detalhou o destino final dos recursos repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Além disso, ao ser questionado sobre suas antigas conexões políticas, o presidenciável reforçou sua relação com o ex-capitão do Bope e miliciano Adriano da Nóbrega, classificando-o como um “policial exemplar” à época das homenagens recebidas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Durante o bloco econômico e de integridade da sabatina, a TV Globo focou nos áudios e mensagens vazados em que Flávio Bolsonaro intermediou recursos milionários com Daniel Vorcaro para financiar o documentário “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Questionado diretamente por César Tralli sobre o fluxo de caixa, as notas emitidas por seu escritório de advocacia e os depósitos que somam dezenas de milhões de reais, o senador gaguejou e limitou-se a afirmar que a transação foi uma “relação privada” sem dinheiro público.

O candidato justificou que “o filme custou mais do que o patrocínio de Vorcaro”, mas não apresentou planilhas nem explicou as transações efetuadas por firmas de fachada ligadas ao operador do banqueiro. Sem conseguir justificar o caminho percorrido pelos valores, Flávio mudou de foco e tentou atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Outro momento crítico da entrevista foi quando Renata Vasconcellos resgatou as condecorações concedidas por Flávio, nos anos de 2003 e 2005, a Adriano da Nóbrega, ex-chefe da milícia “Escritório do Crime”. A jornalista questionou os motivos para abrigar a mãe e a esposa do miliciano em cargos de assessoria na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Flávio Bolsonaro argumentou de forma enfática que, no período das homenagens, Nóbrega não possuía envolvimento conhecido com o crime organizado. “Na época ele era um policial exemplar que estava preso injustamente”, alegou.

De acordo com o senador, a aproximação ocorreu por meio de movimentos de esposas de militares. Ele declarou que a mãe de Adriano “trabalhava direitinho, sem problema nenhum”, minimizando o fato de que a contratação de parentes do ex-oficial abasteceu as investigações sobre o esquema de “rachadinhas”.