Brasil rejeita interferência dos EUA nas eleições sob pretexto de acordo comercial do “tarifaço”. Rússia e China se alinham à postura do governo brasileiro

  • 18/09/2026

O governo brasileiro rechaçou de forma imediata as exigências políticas e comerciais apresentadas pelo governo de Donald Trump durante as tratativas para mitigar o tarifaço de 50% imposto às exportações do país. Em um documento sigiloso de 21 pontos datado de outubro de 2025, cujos detalhes foram revelados nesta semana, a gestão norte-americana tentou condicionar o alívio das taxas a garantias eleitorais, como a participação de supostos “dissidentes políticos” no pleito presidencial de 2026.

Diplomatas e negociadores brasileiros classificaram a proposta como uma clara tentativa de intervenção na soberania nacional. A equipe econômica e o Itamaraty responderam que não existem dissidentes políticos em uma democracia consolidada como a do Brasil, isolando o debate político e limitando as discussões estritamente ao campo comercial.

Além das pressões políticas voltadas ao processo eleitoral, a lista enviada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) detalhava pesadas vantagens comerciais exigidas de Brasília. Entre os pontos mais críticos que foram negados pelo governo brasileiro, destacam-se a exigência de que o Brasil notificasse Washington previamente sobre qualquer transferência de ativos minerais essenciais, dando preferência de compra a empresas norte-americanas; a pressão direta para a aquisição compulsória de aeronaves da Boeing; eliminação total de tarifas de importação brasileiras sobre etanol, veículos, máquinas e bens de alta tecnologia produzidos nos EUA; e exigência de “neutralidade competitiva” na regulação bancária, o que foi interpretado por técnicos brasileiros como uma tentativa de interferir no funcionamento e soberania do sistema Pix.

Diante das pressões externas e das ameaças de retaliações econômicas por meio da manutenção do tarifaço, a geopolítica global se movimentou em apoio a Brasília. Os presidentes da Rússia e da China entraram em comunicação direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos os mandatários manifestaram apoio irrestrito à soberania brasileira e condenaram firmemente qualquer tipo de ingerência ou sanção econômica unilateral por parte de Washington que vise tutelar ou desestabilizar as instituições e o processo eleitoral do Brasil. O aceno de Pequim e Moscou reforça o posicionamento brasileiro de não ceder a balões de ensaio diplomáticos e manter a condução da política interna sob o império da legislação nacional.