Conselho Nacional de Justiça faz operação no gabinete de desembargador do TRF-1 ligado ao ministro do STF e presidente do TSE, Kassio Nunes Marques
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deflagrou, nesta quinta-feira, dia 24 de setembro, uma operação de fiscalização e auditoria no gabinete do desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A ação, que conta com o apoio da Polícia Federal (PF), tem como foco os computadores do gabinete do magistrado. A medida é um desdobramento das investigações sobre a atuação dele em processos de precatórios de interesse do banqueiro Daniel Vorcaro.
Newton Ramos foi identificado em mensagens extraídas pela PF no celular de Vorcaro como integrante da chamada “Turma do KN”. Segundo as investigações, a sigla faz referência direta às iniciais do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Nunes é o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O desembargador e o ministro possuem uma relação de longa data: Ramos foi juiz auxiliar de Nunes Marques quando este ocupava a vice-presidência do TRF-1, antes de ser indicado ao STF.
Os diálogos obtidos pela polícia revelam uma proximidade que envolve a gestão de despesas e vantagens como hospedagens de luxo. Mensagens mostram o desembargador Newton Ramos intermediando pedidos de reserva de quartos em hotéis de luxo em São Paulo para o ministro. A denúncia também envolve uso de vôos particulares. Os registros apontam que o ministro viajou em uma aeronave vinculada a Vorcaro para celebrar o aniversário da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador, em Alagoas.
A situação do ministro Kassio Nunes se agravou após virem à tona detalhes de um contrato advocatício firmado entre o Banco Master (ligado a Vorcaro) e o escritório de Camilla Ramos, esposa do desembargador. O acordo previa honorários de êxito que poderiam alcançar R$ 427 milhões (ou até R$ 470 milhões, a depender das ações) sobre a liberação de cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios bilionários, principalmente do setor sucroalcooleiro.
Na quarta-feira, dia 23, um dia antes da operação no gabinete, a Corregedoria do CNJ já havia determinado que o TRF-1 realize, no prazo de cinco dias, o cancelamento de 16 precatórios que somam R$ 4,7 bilhões, ordenando a restituição imediata dos valores à União. Essas cifras apareciam listadas no celular do banqueiro como “precatórios a receber”.

