Contrato de R$ 427 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro com escritório ligado ao ministro Nunes Marques expõe seletividade de André Mendonça no STF

  • 22/09/2026

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo e explosivo capítulo. Documentos e mensagens obtidos nas investigações sobre o Banco Master revelaram que o banqueiro Daniel Vorcaro contratou um escritório de advocacia ligado ao ministro Kássio Nunes Marques por honorários que podem atingir R$ 427 milhões. O contrato bilionário envolvia a liberação de até R$ 8,5 bilhões em precatórios devidos à instituição financeira.

O escritório em questão pertence à esposa de um desembargador que possui estreita ligação com Nunes Marques. Esta revelação junta-se a outros indícios que pesam contra o ministro no chamado “Caso Master”, como o suposto repasse de valores a seu filho, Kevin Marques, e o financiamento de hospedagens de luxo para a família do magistrado pelo próprio banqueiro. Diante do escândalo, Nunes Marques se declarou impedido de atuar nos processos correlatos.

O avanço das investigações joga luz sobre o papel controverso do ministro André Mendonça, ex-relator do caso no STF. Em 1º de setembro, Mendonça causou forte impacto político ao retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apontava supostas conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

A manobra, no entanto, é agora apontada por interlocutores do tribunal como uma blindagem seletiva. Enquanto Mendonça usou o cargo para inflamar as denúncias e focar a munição exclusivamente contra Moraes, ele manteve em total ostracismo as suspeitas que envolviam seus aliados ideológicos, como o próprio Nunes Marques, ambos indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A postura de Mendonça rendeu duras críticas internas. O decano Gilmar Mendes chegou a chamá-lo publicamente nas redes sociais de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”, acusando-o de usar a relatoria de forma política.

A falta de isenção na condução inicial do caso paralisou o Supremo. O ministro Alexandre de Moraes formalizou uma acusação contra Mendonça perante a presidência da Corte, apontando uma investigação ilegal e direcionada.

Atualmente, o tribunal vive um impasse. O julgamento sobre como proceder com as investigações foi suspenso após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. A tendência majoritária da Corte, apoiada por ministros como Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, é criar um procedimento geral de apuração que alcance todos os magistrados citados.

Juristas e ala majoritária do STF defendem que a única forma de restaurar a credibilidade institucional é garantir que os contratos milionários de Nunes Marques e as reuniões suspeitas de Mendonça recebam o mesmo rigor e escrutínio que foram direcionados a Alexandre de Moraes.