Crise no STF: Edson Fachin adia julgamento de André Mendonça, que passa a ter seu instituto investigado por elo com Banco Master e cemitérios de SP
O cenário político e jurídico em Brasília esquentou após novos desdobramentos colocarem sob os refletores as relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, decidiu adiar o julgamento que analisa a conduta de André Mendonça, optando por aguardar uma definição sobre a situação que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o fundador do banco, Daniel Vorcaro.
Enquanto o julgamento aguarda nova data, o ministro Flávio Dino determinou formalmente à Polícia Federal (PF) que investigue as operações financeiras do Banco Master relacionadas a concessionárias de cemitérios privados na capital paulista.
A investigação ganhou tração após a revelação de transações financeiras suspeitas envolvendo o Instituto Iter, entidade fundada por André Mendonça (da qual foi sócio até setembro de 2025). Documentos apontam que o instituto recebeu R$ 5 milhões de um ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro.
Além disso, Dino destacou que o Instituto Iter fechou contratos remunerados com o município e com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Os fatos geraram suspeitas devido à cronologia dos eventos. Em março de 2025, André Mendonça reuniu-se com Daniel Vorcaro na sede de uma empresa privada em São Paulo. No dia seguinte à reunião, Mendonça pediu vista em um processo que discutia o teto dos preços de serviços funerários e cemitérios na capital paulista, interrompendo o voto de Dino, que defendia a manutenção do teto.
Já em abril de 2025, o ministro André Mendonça votou de forma divergente, deixando de referendar a liminar sobre o controle de preços das concessionárias, o que atendeu aos interesses econômicos de fundos geridos pelo Banco Master.
A determinação de Flávio Dino à PFNa última quinta-feira, Flávio Dino ordenou a abertura de apuração pela Polícia Federal para destrinchar os vínculos entre o Banco Master e a concessionária Cortel, que administra cemitérios em São Paulo.
O Ministério Público de São Paulo já apura possíveis irregularidades nessas concessões. Buscando resguardar as prerrogativas de foro, Dino expressamente vetou qualquer ato da PF que possa atingir diretamente o ministro André Mendonça. Em vez disso, ele compilou as novas informações e as enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, para que este decida quais providências institucionais devem ser tomadas no âmbito da Corte.
A decisão de Fachin de adiar a análise do caso de Mendonça ocorre em um momento de extrema sensibilidade no tribunal. Há um esforço interno para unificar os critérios de entendimento, já que o ministro Alexandre de Moraes também foi mencionado em relatórios policiais sobre suposta proximidade e atuação em favor do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Moraes contesta duramente o conteúdo do relatório da PF, afirmando que o procedimento foi instaurado sem respaldo da Procuradoria-Geral da República (PGR) e que não há qualquer mensagem de sua autoria que demonstre favorecimento ou consultoria ao banqueiro. O tribunal agora vive a expectativa de como Fachin conduzirá a pauta dos dois processos correlatos, enquanto a Polícia Federal começa a vasculhar os contratos milionários do setor funerário paulista.

