Em encontro com pompa na Casa Branca, Trump e Xi Jinping mantêm trégua superficial, mas divergências estruturais persistem. Congressistas acusam presidente norte-americano de interferência nas eleições brasileiras

  • 25/09/2026

O presidente norte-americano Donald Trump recebeu o líder chinês Xi Jinping na Casa Branca para uma cúpula de dois dias em Washington. Embora o encontro tenha sido marcado por tapete vermelho, banquetes oficiais e um tom público focado na “coexistência pacífica”, as profundas divergências econômicas e geopolíticas entre os Estados Unidos e a China continuam inabaladas.

Paralelamente ao evento, a política externa da administração Trump virou alvo de forte crise interna: um grupo de 31 congressistas democratas acusou formalmente o governo dos EUA de interferir nas eleições presidenciais brasileiras de outubro.


Durante os discursos oficiais na Casa Branca, Xi Jinping adotou uma postura cautelosa. O líder chinês declarou que as duas superpotências mundiais devem “manter a linha de não conflito e não confronto”, alertando expressamente contra os riscos da chamada “armadilha de Tucídides”, o conceito histórico em que uma potência emergente inevitavelmente entra em guerra com uma potência estabelecida. Trump, por sua vez, reforçou manter uma “verdadeira amizade” baseada no respeito mútuo.


Atrás das portas fechadas, contudo, a agenda revelou que os pontos de fricção continuam os mesmos. Embora Xi defenda que o desenvolvimento da IA permaneça sob controle humano, Washington busca restringir o avanço chinês no setor de semicondutores e tecnologias críticas.

A China cobrou ações práticas e um “tratamento justo” para suas empresas em solo americano, enquanto o governo Trump mantém sua política protecionista e agressiva de sobretaxas. Temas espinhosos como a soberania de Taiwan, o avanço militar chinês e os posicionamentos em relação aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio impediram avanços práticos reais rumo a uma cooperação genuína.


Enquanto Trump tentava projetar a imagem de um líder focado na estabilidade global ao lado de Xi Jinping, a oposição interna desferiu um duro golpe político contra a Casa Branca. Um grupo liderado pelo senador Bernie Sanders e mais 30 deputados democratas enviou uma carta oficial ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando formalmente a administração Trump de promover uma “campanha contínua e multifacetada de interferência e desestabilização” no Brasil.


Os parlamentares norte-americanos afirmam que o governo dos EUA está utilizando ferramentas econômicas e diplomáticas para enfraquecer as instituições democráticas brasileiras na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro.