Flávio Bolsonaro é investigado no STF em inquérito sobre Dark Horse. Supremo apura suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção na produção do filme

  • 11/09/2026

O senador e candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é um dos alvos de um inquérito sigiloso aberto pela Polícia Federal (PF). A investigação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, apura supostos esquemas criminosos no financiamento e produção do documentário “Dark Horse”, obra cinematográfica que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O caso veio a público nesta sexta-feira, dia 11 de setembro, após o ministro relator suspender o sigilo dos autos a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. A abertura oficial da petição vinculada ao caso ocorreu originalmente em julho de 2026, mas a inclusão formal do parlamentar permaneceu sob reserva até o desdobramento das últimas operações.

A apuração conduzida pelas autoridades policiais foca na suspeita de práticas que envolvem lavagem de dinheiro, corrupção passiva, evasão de divisas e organização criminosa. O escândalo se ramifica em duas frentes de investigação financeira no STF.

Sob a relatoria do ministro André Mendonça, um dos braços investigativos apura mensagens obtidas pela PF nas quais Flávio Bolsonaro supostamente cobra repasses de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Conforme dados obtidos pelas quebras de sigilo financeiro e homologados em delação premiada pelo operador Antonio Carlos Freixo Júnior (conhecido como “Mineiro”), Vorcaro teria ordenado o envio de US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 million em valores históricos) para a produtora do filme.

As transferências foram intermediadas por uma empresa parceira e enviadas ao exterior para o Heavengate Development Fund, um fundo de investimentos sediado nos Estados Unidos. A PF tenta descobrir se os valores serviram também para bancar gastos fora do país do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

O segundo braço, relatado pelo ministro Flávio Dino, provocou a deflagração da Operação Make Up, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. A ação mirou diretamente o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up, que assina o longa-metragem. De acordo com relatórios fiscais, Frias enviou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para uma entidade sob gestão de Karina.