Guerra no STF: Alexandre de Moraes pede a Edson Fachin investigação contra André Mendonça por abuso e direcionamento político
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou oficialmente ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra o também ministro André Mendonça. A decisão, tomada no âmbito do inquérito das fake news, aponta a existência de “fortes indícios” da prática de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
A petição baseia-se em relatórios de inteligência enviados pela Polícia Federal (PF), os quais revelam supostas irregularidades graves cometidas por Mendonça na condução das operações Sem Desconto (fraudes no INSS) e Compliance Zero (envolvendo o Banco Master). De acordo com as acusações, o ministro teria violado a imparcialidade judicial para favorecer determinados grupos políticos e mirar alvos específicos.
Segundo os documentos da PF reproduzidos no despacho, André Mendonça é acusado de tentar usurpar a direção das apurações policiais e interferir de maneira direta no trabalho técnico de delegados, exigindo acesso a dados brutos antes de análises conclusivas.
Os relatórios apontam que houve a produção de acusações e imputações “sem lastro” jurídico ou probatório contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. O material sugere que Mendonça operou um direcionamento das investigações por razões estritamente pessoais e políticas.
Além de pedir reiteradamente que a equipe trouxesse “provocações” para abrir investigações formais contra o próprio Alexandre de Moraes, o ministro também focou seus esforços no presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado pela PF como um “alvo estratégico” para fins de pressão política.
Outro trecho contundente dos relatórios policiais expõe o tratamento diferenciado adotado por André Mendonça diante de diferentes membros da Suprema Corte. Enquanto buscava formas de enquadrar e desgastar Moraes, o relator teria agido com “contemporização” e adotado postura abertamente defensiva ao lidar com indícios de ilicitudes envolvendo os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
De acordo com a PF, Mendonça simplesmente ignorou ou blindou elementos probatórios enviados pela corporação que citavam Toffoli e Nunes Marques, optando por afastar as suspeitas contra os dois ao mesmo tempo em que acelerava o cerco contra Moraes no caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
O pedido de Moraes agrava drasticamente a crise institucional interna do STF. Diante das acusações cruzadas, o presidente Edson Fachin estipulou um prazo de cinco dias para que Alexandre de Moraes, André Mendonça, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) prestem esclarecimentos formais sobre o caso. Caberá ao plenário da Corte deliberar sobre a abertura da investigação contra Mendonça.

