Mario Frias e produtora de filme sobre Jair Bolsonaro são alvos de buscas da PF. Proposta de delação de Vorcaro também envolve ACM Neto e Antônio Rueda

  • 10/09/2026

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, na manhã desta quinta-feira, dia 10 de setembro, a Operação Make Up. A ação investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares que teriam sido direcionados para a produção do filme “Dark Horse”, obra ainda inédita que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao todo, os agentes cumprem 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não há mandados de prisão previstos para esta fase. Os principais alvos da operação são Mario Frias (PL-SP), Deputado federal e ex-secretário especial da Cultura; Karina Gama, Produtora do longa-metragem; entidades ligadas à produtora, como Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC) que também são alvos de buscas.

De acordo com as investigações da PF, uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados direcionava verbas de emendas parlamentares repassadas a uma organização da sociedade civil. Esse dinheiro era então transferido para empresas subcontratadas de forma irregular, sem qualquer comprovação de que os serviços de produção do filme foram de fato realizados.

A PF identificou movimentações financeiras que somam centenas de milhões de reais entre as empresas suspeitas. As investigações apontam que as tentativas de ocultar os desvios de dinheiro continuaram ativas até julho deste ano.

O caso tramita sob sigilo e está sob a relatoria do ministro Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que inicialmente corria na Justiça de São Paulo, foi avocado (puxado) para a Suprema Corte devido ao envolvimento de parlamentar com prerrogativa de foro por função.

Proposta de delação

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação, que ACM Neto e Antônio de Rueda, ambos do União Brasil, teriam atuado para viabilizar aportes de recursos públicos no Banco Master em troca de vantagens indevidas. Segundo informações reveladas pelo Portal UOL, os dois políticos receberiam 10% sobre valores captados junto a institutos de previdência e empresas públicas.

A delação, rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de dados inéditos e ausência de garantias de devolução de valores, voltou ao centro das atenções após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, divulgar relatório de inteligência da PF sobre a investigação.