Ministros do STF discutem se Alexandre de Moraes e André Mendonça devem participar de sessão decisiva sobre Caso Master. Há possibilidade de pedido de vista e adiamento da sessão

  • 14/09/2026

O clima de tensão nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o ápice às vésperas da sessão extraordinária convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. O plenário deve se reunir para deliberar sobre a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, motivada por mensagens interceptadas pela Polícia Federal entre ele e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Contudo, uma intensa articulação interna foca em questões preliminares cruciais: quem realmente possui condições jurídicas e políticas para votar.

Os magistrados discutem reservadamente se Mraes e Mendonça devem se afastar da deliberação. Moraes, por ser o alvo direto do relatório policial, divide opiniões. Uma ala expressiva do tribunal defende que ele não compareça ao plenário para evitar que sua presença física configure uma forma de pressão sobre os colegas. Por outro lado, aliados de Moraes articulam nos bastidores uma contraofensiva: caso ele opte por não votar ou seja contestado, apresentarão uma questão de ordem para barrar a participação de André Mendonça, que provocou a análise do caso ao cobrar providências com base nas mensagens da PF.

O impasse pode se estender a outros integrantes. Há menções e citações indiretas no material envolvendo também os ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Embora a tendência seja a de validar a participação de Fux e Nunes Marques, o quórum exato e os impedimentos legais ameaçam dominar o início dos trabalhos.

Diante do cenário altamente imprevisível e do desgaste político para o tribunal, ministros do STF não descartam que a análise do caso seja imediatamente interrompida, principal aposta de aliados de Moraes para esfriar a crise é um iminente pedido de vista, que suspenderia o julgamento por até 90 dias úteis, conforme o regimento interno da Corte. Nos bastidores, a expectativa é de que o pedido de vista parta do ministro Gilmar Mendes.

Caso a vista seja solicitada, a sessão será adiada, empurrando a conclusão do caso para o final do ano ou mesmo para 2027, dado que outros ministros podem repetir o mecanismo sucessivamente no futuro. Ciente desse risco, o ministro André Mendonça estuda uma estratégia para mitigar o adiamento: ele avalia adiantar o seu voto escrito logo na abertura. Dessa forma, mesmo que a sessão seja paralisada e o julgamento adiado, sua posição e os argumentos contra Moraes ficariam publicamente registrados no sistema da Corte.