Oposição acusa ministro André Mendonça de “blindagem eleitoral” ao manter sob sigilo gastos de Flávio Bolsonaro com o filme Dark Horse

  • 11/09/2026

Em meio a uma forte crise institucional que sacode os bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça determinou o levantamento do segredo de Justiça de 15 procedimentos ligados ao escândalo do Banco Master. A medida atendeu a uma determinação expressa do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. No entanto, Mendonça optou por manter sob restrição estrita o inquérito que envolve o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão gerou reação imediata da oposição, que acusa o magistrado de realizar uma “quebra de sigilo seletiva” para interferir na corrida presidencial. A decisão de Fachin de solicitar a abertura dos autos ocorreu visando preparar o plenário para o julgamento da próxima terça-feira, dia 15 de setembro, que analisará a validade de relatórios policiais e supostos desdobramentos envolvendo outros magistrados. Fachin havia autorizado a manutenção do sigilo apenas para diligências consideradas “imprescindíveis”. Contudo, a exclusão da petição que investiga o repasse de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção cinematográfica foi vista pela ala oposicionista como um movimento político.

Parlamentares de oposição ao campo bolsonarista subiram o tom e denunciaram que a postura de André Mendonça, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro, serve como um escudo protetor para o candidato do PL a menos de um mês das eleições. Críticos apontam que, enquanto investigações que geram desgaste a adversários políticos e ao governo acabam vindo a público, os dados financeiros e as suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que pesam contra Flávio Bolsonaro permanecem trancados a sete chaves.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), manifestou-se publicamente criticando a falta de transparência. Segundo ele, a Polícia Federal está sendo obrigada a fazer a “prestação de contas” da obra audiovisual devido à recusa do senador em apresentar os balanços reais dos repasses, estimados em contratos que chegam a milhões de dólares.

A Polícia Federal investiga se a estrutura do Banco Master ou os negócios privados de Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de fraudar R$ 12 bilhões no sistema financeiro, foram utilizados de forma ilícita para financiar o filme. Mensagens e áudios interceptados pela PF revelaram o senador Flávio Bolsonaro cobrando repasses de Vorcaro para dar andamento à produção.

A defesa de Flávio Bolsonaro nega veementemente qualquer irregularidade. O parlamentar reitera que se trata exclusivamente de captação de investimento privado para uma obra privada e que, apesar do cargo público, não ofereceu qualquer tipo de contrapartida ilegal ao investidor. Enquanto o impasse sobre a transparência total dos dados continua, o julgamento no plenário do STF na próxima semana promete elevar ainda mais a temperatura política nacional.