Sob desgaste público, presidente do STF, Edson Fachin, tende a adiar julgamento de acusações contra André Mendonça enquanto ministros discutem obstruir pauta do STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, tende a adiar a análise sobre as alegações de abuso de autoridade contra o ministro André Mendonça, que estava inicialmente pautada para a próxima quarta-feira, dia 23 de setembro. A provável decisão surge como uma tentativa de conter a escalada de tensões internas na Corte, que enfrenta uma de suas maiores crises institucionais recentes. Nos bastidores, um grupo de ministros já articula um movimento inicial para obstruir as votações de pautas mais sensíveis do tribunal.
A necessidade de adiar o julgamento de André Mendonça ganhou força após os últimos desdobramentos no plenário. Na última terça-feira, dia 15, o ministro Flávio Dino pediu vista na sessão que analisava as suspeitas e mensagens vazadas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Aliados e interlocutores de Edson Fachin avaliaram que dar andamento ao caso de Mendonça sem antes concluir o julgamento de Moraes atropelaria o rito natural e a isonomia da Corte.
A recomendação levada ao presidente foi explícita: esperar que Dino devolva a vista de Moraes antes de abrir a nova caixa de Marimbondos contra Mendonça. A temperatura interna do tribunal atingiu níveis críticos. A crise provocou um racha visível, exemplificado por embates diretos entre magistrados. A gravidade do momento foi externada pela ministra Cármen Lúcia, que lamentou publicamente o clima de “descrença e desânimo” gerado pelo atual cenário.
Ministros insatisfeitos com os rumos das investigações internas começaram a discutir uma estratégia de braços cruzados em votações consideradas prioritárias ou caras à presidência. Fachin já havia negado anteriormente um pedido de Moraes para unificar as duas apurações em um único processo, mantendo o caso de Mendonça em autos próprios.
Nos bastidores, ganha força a tese de que empurrar ambos os casos incômodos para depois das eleições de outubro pode esfriar os ânimos e abrir caminho para um eventual acordo de arquivamento mútuo.O martelo sobre a retirada do caso de pauta deve ser batido oficialmente nos próximos dias pelo gabinete da presidência. Até lá, o STF opera sob uma tensa calmaria política, buscando evitar que seus próprios conflitos paralisem por completo as atividades da mais alta Corte do país.

