Flávio Bolsonaro apaga posts com críticas ao Bolsa Família após sua coordenadora do Plano Econômico propor transição de dois anos para quem tem acesso ao benefício
Em meio à reta final da campanha para o segundo turno, o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) realizou uma limpa em suas redes sociais. O parlamentar excluiu de sua conta oficial na plataforma X (antigo Twitter) uma série de publicações antigas nas quais atacava o Bolsa Família, programa que é a principal vitrine social de seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A remoção dos conteúdos, revelada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi identificada porque o veículo havia monitorado e baixado o histórico de publicações do candidato. Entre as postagens deletadas, figuravam mensagens em que Flávio associava o programa assistencial à “compra de votos” e se referia ao benefício como “bolsa-farelo”. Em um dos registros apagados, datado de 2013, o senador afirmava que o PT “perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos”.
A mudança na postura digital do candidato coincide com uma nova estratégia de comunicação voltada para o eleitorado de baixa renda. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Flávio Bolsonaro procurou tranquilizar a população, afirmando que os beneficiários podem ficar em paz porque, em um eventual governo seu, o “benefício está garantido”.
Paralelamente ao recuo nas redes sociais, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora econômica da campanha do PL, Daniella Marques, anunciou propostas de reformulação para o programa social. Em entrevista à CBN Bahia, a economista prometeu a criação de uma regra de transição de dois anos (24 meses) para os beneficiários do Bolsa Família.
De acordo com o plano apresentado, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o cidadão que conseguir um emprego formal de carteira assinada ou decidir abrir uma empresa poderá continuar recebendo o auxílio financeiro por até dois anos. “As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família, aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada”, defendeu Marques. O projeto prevê ainda que, caso o trabalhador venha a ser demitido ou o novo negócio não prospere dentro desse período, o retorno ao programa social será automático.
O embate em torno do programa ocorre no mesmo período em que o Governo Federal implementou o reajuste de 15,04% nas parcelas. O piso do Bolsa Família foi atualizado por decreto, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro de 2026.
Atualmente, o programa gerido pela administração do PT já conta com a chamada “Regra de Proteção”, atualizada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Pelos critérios em vigor no atual modelo governamental, as famílias que aumentam a renda proveniente do trabalho, respeitando o teto de R$ 706 por pessoa, mantêm o direito a receber 50% do valor do benefício por um período de até 12 a 18 meses, dispondo de um prazo de até 36 meses para requerer o retorno garantido em caso de nova perda de renda. A oposição busca agora contrapor esse formato oferecendo os 24 meses integrais com regresso automático imediato.

