Lula cria comitê com empresários para responder a tarifaço de Trump. Centrão apoia a medida e isola bolsonaristas
Em resposta ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criou um comitê interministerial para avaliar os impactos econômicos da medida e articular uma estratégia de reação. O comitê será composto inicialmente pelos ministérios da Fazenda (Fernando Haddad), Relações Exteriores (Mauro Vieira) e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Geraldo Alckmin), além de representantes da Casa Civil, da Secretaria de Relações Institucionais, da Secom e da Agricultura.
Lula comunicou aos ministros que ele próprio se reunirá com os empresários dos setores mais afetados, como parte da estratégia de escuta direta e construção de uma linha de negociação com o governo norte-americano. Entre os produtos que sofrerão mais com a medida estão laranja, carne bovina, celulose, café e etanol.
Após semanas de tensão política em torno da crise provocada pela taxação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o Governo Lula e o Centrão encontraram terreno comum para reagir ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ameaça de retaliações comerciais a partir de 1º de agosto realinhou posições no Congresso e provocou o isolamento de parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que insistem em vincular a retirada das sanções à aprovação de uma anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
O movimento de aproximação entre o Palácio do Planalto e lideranças do Congresso ocorre após meses de atritos. Diante do impacto do tarifaço americano e da reação nacional, o embate deu lugar a um discurso de defesa da soberania nacional.

