Lula abraça discurso do patriotismo de verdade para enfrentar embate comercial com EUA. Para os bolsonaristas, resta a traição de ficar ao lado dos interesses de Trump

  • 26/07/2025

O presidente Lula (PT), certamente, já tem uma bandeira para levantar na disputa eleitoral de 2026, quando deve buscar a reeleição para a Presidência da República. A defesa do patriotismo no embate comercial com os Estados Unidos, de Donald Trump, ganhou a opinião pública, inclusive, entre eleitores que votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em suas redes sociais nesta sexta-feira, dia 25 de julho, Lula reforçou o tom crítico contra setores da extrema direita brasileira que, segundo ele, atuam no exterior, com foco nos Estados Unidos de Donald Trump, para prejudicar o país. “Patriotismo de verdade é defender o Brasil. E nossa bandeira tem um único, e legítimo, dono: o povo brasileiro”, enfatizou.

A tarifa de 50% imposta por Donald Trump contra os produtos brasileiros deve entrar em vigor no dia 1° de agosto. Lula diz que o Governo Federal está disposto a negociar na hora que o presidente norte-americano desejar, mas não vai abrir mão da soberania e da independência do Poder Judiciário.

Sobre a reclamação de Trump de que o governo brasileiro persegue o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula foi bastante claro: “O Bolsonaro não é problema meu, é da Justiça. Ele está sendo julgado com todo o direito de defesa. Ele tentou dar um golpe neste país, não queria que eu e o Alckmin tomássemos posse e chegou a montar uma equipe para matar o Lula, o Alckmin e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o Alexandre de Moraes. Isso já está provado, por delação deles mesmos”, afirmou o presidente brasileiro.

Com apoio popular, do empresariado e até de setores mais à direita no Congresso, Lula aposta em alternativas para que o tarifaço norte-americano não sacrifique empregos e traga mais prejuízos econômicos ao País.

A imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os bens exportados pelo Brasil aos Estados Unidos já está sendo avaliada por técnicos do governo brasileiro como um fator com potencial desinflacionário para a economia nacional. De acordo com os especialistas, a medida deve gerar impactos negativos sobre a atividade econômica, mas também tende a pressionar os preços para baixo.

Já a aliança do bolsonarismo com os interesses econômicos de Trump pode trazer uma fatura bastante alta nas eleições de 2026. Quem hoje se mostra contra a soberania do Brasil tende a ter muita dificuldade para explicar isso ao eleitor na campanha do próximo ano. O tempo dirá quem esteve do lado certo.