Cercado de contradições, Luiz Fux vota pela absolvição de Bolsonaro e defende anulação do processo no STF. Carmen Lúcia e Zanin ainda vão votar e devem consolidar maioria pela condenação
O julgamento da tentativa de golpe de Estado, que envolve Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus, ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, dia 10 de setembro, após uma série de divergências do ministro Luiz Fux. O ministro votou pela incompetência do STF para julgar o caso, determinando a anulação de todo o processo. Foram mais de 10 horas para que Fux completasse sua defesa que incluiu a absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o placar pela condenação está 2 a 1 com votos favoráveis de Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Ainda faltam os votos dos ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
As teses levantadas por Luiz Fux animaram os advogados de defesa dos acusados e também os bolsonaristas. A decisão de Fux abriu um novo caminho para questionamentos sobre o julgamento e, de acordo com especialistas, fortalece a tese dos réus de que houve cerceamento de defesa. Mas, no momento, não muda a tendência pela condenação de Bolsonaro e dos sete réus.
Diante dos argumentos de Fux, outros ministros da Primeira Turma do STF lembram que ele votou por aceitar a denúncia contra Bolsonaro e os outros sete do chamado núcleo crucial e torná-los réus por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
O voto do ministro Luiz Fux se mostrou cercado de contradições. Mais de 400 pessoas foram condenadas pelo STF pela invasão da praça dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. Em todos esses casos, Fux acompanhou a maioria da Corte, reconhecendo a legitimidade do Supremo como foro para a tramitação dos casos.

