Senadores agora miram a derrubada da PEC da Anistia, caso a matéria seja aprovada na Câmara. Centrão ainda sonha com redução das penas de golpistas
O projeto de lei da chamada “Dosimetria”, que reduz penas para condenados por tentativa de golpe no país, já preocupa líderes da Câmara dos Deputados, que temem que ele tenha o mesmo destino da PEC da Blindagem, rejeitada por unanimidade no Senado. A avaliação é de que a proposta pode ser barrada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e arquivada em plenário, repetindo o desgaste político recente.
Os senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Renan Calheiros (MDB-AL) manifestaram desconfianças sobre o mérito e a construção do projeto que pode reduzir em até 11 anos a pena imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo STF. Os dois estiveram à frente das articulações para derrubar a PEC da Blindagem, que tinha sido aprovada com folga na Câmara.
A rejeição da PEC da Blindagem pelo Senado abriu uma crise no Congresso e expôs um afastamento entre os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O episódio, que revelou a falta de sintonia entre os dois, coloca em risco votações de projetos considerados estratégicos para parlamentares e para o governo Lula (PT).
A divergência não apenas enfraqueceu a articulação política, mas também levantou a possibilidade de retaliações mútuas entre as Casas. A tensão cresceu a partir do desgaste sofrido por Motta, que vinha defendendo a proposta e agora enfrenta críticas internas por sua condução.

