Sob pressão e sem alianças, Flávio Bolsonaro chega à convenção do PL neste sábado isolado e cercado por novo escândalo fiscal

  • 23/07/2026

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrenta o momento mais crítico de sua articulação política às vésperas da convenção nacional do Partido Liberal (PL). Marcado para o próximo sábado, dia 25 de julho, o evento que deveria consolidar sua liderança governista transformou-se em um cenário de isolamento político e vulnerabilidade jurídica. Além de sofrer baixas cruciais no apoio familiar e partidário, o parlamentar agora precisa conter os danos de uma nova denúncia envolvendo a emissão de notas fiscais ligadas ao polêmico “Caso Banco Master”.

O cerne da crise jurídica envolve o escritório de advocacia do qual Flávio Bolsonaro é o único sócio. Conforme revelado pelo portal Metrópoles, firma do senador emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para empresas que integram a malha empresarial sob investigação da Polícia Federal, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Os documentos fiscais detalham movimentações suspeitas:

Copenhagen Consultoria: Duas notas de R$ 500 mil foram emitidas em abril de 2025 para esta empresa de fachada — que possui capital social de apenas R$ 40 e não tem sede física — sendo canceladas no mesmo dia.

Contábil Correa: Uma terceira nota, também no valor de R$ 500 mil, foi emitida em benefício desta companhia, mas permaneceu ativa, sem qualquer registro de cancelamento.

Ambas as firmas são administradas pelo contador Rogério Lourenço Novo, apontado como peça-chave no fluxo financeiro da estrutura de Vorcaro.

Em forte reação nas redes sociais, Flávio Bolsonaro negou as irregularidades. O senador argumentou que as notas canceladas “não movimentaram nada” e que a nota mantida refere-se a um serviço jurídico privado e legalizado, sem qualquer relação espúria com o Banco Master. “Estou sendo ‘acusado’ de NÃO receber alguma coisa”, ironizou o parlamentar em nota oficial.

Se no campo jurídico a situação é complexa, no tabuleiro político o cenário para o próximo sábado é de fragilidade acentuada. Flávio Bolsonaro ruma para a oficialização de sua candidatura sem os pilares necessários para uma campanha competitiva.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro indicou que não comparecerá ao evento e não manifestará apoio ao enteado. O racha familiar escalou após Michelle divulgar publicamente que vinha sendo “humilhada” por Flávio em disputas internas pela nominata do PL, afastando a ala evangélica e a militância feminina.

O comitê de campanha sofreu um duro golpe após a senadora Tereza Cristina (PP-MS) recusar formalmente o convite para ser a vice na chapa. A parlamentar preferiu focar na disputa pela presidência do Senado em 2027. Sem plano B de consenso, o PL deve iniciar a caminhada eleitoral com uma chapa indefinida.

A maior das derrotas estratégicas veio da federação nacional União Progressista (composta por PP e União Brasil). Apesar dos esforços de Flávio em acenar aos palanques regionais paulistas, os presidentes nacionais Ciro Nogueira e Antonio Rueda selaram a decisão de manter o bloco neutro no primeiro turno da corrida presidencial, retirando do candidato do PL tempo valioso de televisão e recursos do fundo partidário.

Pressionado por denúncias que desgastam sua bandeira ética e limitado ao apoio isolado do PL, Flávio Bolsonaro terá a difícil tarefa de usar o palanque de sábado para tentar reverter a percepção de uma pré-campanha que começa acuada e sem o vigor político esperado pelo bolsonarismo.