Depois do PP e União Brasil, Republicanos rejeita vice e oficializa neutralidade para não estar na chapa de Flávio Bolsonaro

  • 04/08/2026

O cenário eleitoral para a disputa presidencial sofreu uma nova reviravolta com a decisão do Republicanos de manter a neutralidade institucional no primeiro turno. A legenda recusou formalmente o convite do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para indicar o nome que ocuparia a vaga de candidato a vice-presidente em sua chapa.

A deliberação foi oficializada pela executiva nacional do partido comandado pelo deputado federal Marcos Pereira (SP). A decisão concede liberdade total para que os diretórios estaduais definam seus apoios de acordo com as conveniências e as realidades locais. Com isso, lideranças alinhadas ao bolsonarismo no Sul e Sudeste, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ficam livres para subir no palanque de Flávio Bolsonaro.

Por outro lado, as alas do partido nas regiões Norte e Nordeste ganham o aval necessário para se aproximar do governo e apoiar outras candidaturas.

O recuo do Republicanos acentua o isolamento político enfrentado pelo candidato bolsonarista na corrida ao Palácio do Planalto. Dias antes, movimentos idênticos já haviam sido feitos pela federação União Progressista, bloco composto pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP). Mesmo após intensas negociações e o oferecimento de espaços estratégicos na chapa eleitoral, ambas as siglas do “Centrão” optaram por não carregar o desgaste de uma associação direta ao bolsonarismo em nível nacional.

O União Brasil preferiu focar nas fortes bancadas do Congresso e em palanques estaduais. Já o Progressistas (PP) ignorou os apelos da cúpula do PL e declinou o convite de indicar a senadora Tereza Cristina para a vice. O Republicanos barrou a investida da bancada paulista e optou por não se amarrar ao projeto do PL. Até mesmo o Podemos, que aparecia como uma alternativa de última hora para as articulações da campanha, indicou que seguirá o mesmo roteiro de independência e neutralidade.

A estratégia desenhada pelo Partido Liberal para construir uma grande coligação de direita ruiu na reta final do prazo de convenções partidárias, que se encerra nesta quarta-feira, 5 de agosto. Sem conseguir atrair nenhuma das grandes legendas de centro, a tendência consolidada nos bastidores é de que o PL seja forçado a concorrer por meio de uma chapa pura.

Entre os nomes internos do partido cogitados para assumir o posto de vice ao lado do senador está a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. A falta de alianças nacionais não apenas reduz o tempo de propaganda gratuita de rádio e televisão do candidato, como expõe uma clara fratura no bloco que dava sustentação ao espectro político da direita tradicional.