Brasil rebaixa relações com Argentina e repudia pressão dos EUA após revogação de visto de embaixadora
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura firme e enérgica diante das recentes crises diplomáticas simultâneas. O Itamaraty determinou o retorno imediato a Buenos Aires do embaixador argentino no Brasil, Guillermo Raimondi, reduzindo a relação bilateral com a Argentina ao nível de encarregados de negócios após repetidos ataques verbais de Javier Milei.
Paralelamente, o Palácio do Planalto emitiu uma nota oficial de repúdio contra a decisão do governo de Donald Trump de revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, classificando o ato como uma “tentativa descabida de interferência” nas eleições presidenciais brasileiras de outubro.
A escalada da crise com o governo de Javier Milei atingiu o ponto mais grave das últimas décadas nas relações bilaterais. O Itamaraty comunicou oficialmente que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornará ao posto por tempo indeterminado. O nível de interlocução agora passa a ser conduzido apenas por encarregados de negócios.
Como resposta institucional direta aos novos insultos proferidos por Milei contra Lula e contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, o embaixador argentino no Brasil, Guillermo Raimondi, foi dispensado e ordenado a regressar imediatamente à Argentina. A crise se aprofundou depois que Milei reiterou ofensas públicas e participou de atos com a oposição brasileira em São Paulo, o que foi considerado pelo governo brasileiro uma agressão inédita e inaceitável ao diálogo político normal.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina criticou o posicionamento de Brasília, alegando que o Brasil tomou uma decisão “unilateral” e está se “isolando na região por questões puramente ideológicas”.
Em outra frente de alta tensão, o governo de Donald Trump utilizou recursos de natureza migratória como ferramenta de pressão política. O Departamento de Estado americano revogou o visto diplomático de Maria Luiza Ribeiro Viotti, chefe da missão brasileira em Washington. A medida é uma represália direta ao fato de o Brasil ter negado visto anteriormente a dois funcionários da Casa Branca que pretendiam inspecionar o sistema eletrônico de votação brasileiro.
Washington também justificou o ato sob a alegação de demora por parte do Brasil em aprovar o nome de Daniel Perez, indicado por Trump para assumir a embaixada americana em Brasília. O Itamaraty rebateu lembrando que os EUA violaram as praxes da Convenção de Viena ao expor o nome do indicado ao Senado americano antes de realizar a consulta sigilosa formal ao governo anfitrião.
Embora o visto tenha sido cancelado, a embaixadora não foi declarada persona non grata e pode permanecer em solo americano, mas não conseguirá retornar se cruzar as fronteiras dos EUA. O Palácio do Planalto denunciou que as justificativas dos EUA são falsas e que há um “interesse descabido de interferir na próxima eleição presidencial” do Brasil. O governo prometeu aplicar medidas equivalentes baseadas no princípio internacional da reciprocidade diplomática.

