Ministro André Mendonça segura Caso Lulinha sob vazamentos para a imprensa e mantém silêncio no Caso “Dark Horse” que envolve Flávio Bolsonaro

  • 21/08/2026

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagoniza uma forte queda de braço com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O magistrado indicou a interlocutores que rejeitará o pedido da PGR para enviar as investigações de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para a primeira instância. Enquanto segura o processo sob o argumento de que há citados com foro privilegiado, Mendonça dita um ritmo diferente e sem alardes no caso “Dark Horse”, que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A PGR formalizou um pedido sigiloso para que as apurações contra o filho do presidente Lula deixassem o STF. O órgão argumenta que o caso trata de suposto tráfico de influência e corrupção em órgãos federais sem o envolvimento direto de autoridades com prerrogativa de foro na Suprema Corte.Mendonça, contudo, resiste em abrir mão da relatoria. O ministro justifica que as menções nas conversas interceptadas envolvem figuras que justificam a competência do tribunal.O clima de tensão é amplificado por sucessivos vazamentos seletivos à imprensa, que expuseram mensagens de Lulinha com empresários. A defesa do empresário contesta o que chama de “pesca probatória” e avalia solicitar a quebra total do sigilo dos autos para conter as divulgações “a conta-gotas”.

Em contraste com a fervura midiática que cerca o governo atual, o caso “Dark Horse” segue uma dinâmica distinta no gabinete de Mendonça. A investigação apura o suposto uso irregular de R$ 61 milhões enviados ao exterior pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apadrinhado político de Bolsonaro, André Mendonça autorizou a abertura do inquérito da Polícia Federal após parecer favorável da própria PGR. Contudo, o processo é apontado por governistas como paralisado ou de tramitação excessivamente lenta.