Ceará Digital: Governo Federal aprova megaprojeto de Data Center de R$ 181,7 bilhões na ZPE do Complexo do Pecém
O Ceará deu mais um passo histórico para se consolidar como o coração da economia digital da América Latina. O Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), vinculado ao Governo Federal, deu o aval oficial para a construção de um novo e colossal complexo de data center na ZPE do Pecém, localizada na Região Metropolitana de Fortaleza.
O investimento total estimado para o projeto é de impressionantes R$ 181,7 bilhões. O projeto é de autoria da Voltalia Energia do Brasil e foi o grande destaque do pacote de investimentos industriais aprovados pelo órgão regulador nacional. A iniciativa visa unir o processamento de dados de alta tecnologia à expansão de usinas eólicas e solares próprias, garantindo eletricidade limpa para sustentar o enorme consumo elétrico exigido pela estrutura de TI.
O impacto socioeconômico do novo data center começará a ser sentido imediatamente na região de Caucaia e São Gonçalo do Amarante. Espera-se a criação de cerca de 2.700 novos postos de trabalho diretos, divididos em duas fases cruciais: a fase de construção, onde devem ser gerados 2.300 empregos diretos para obras civis e montagem de infraestrutura e a fase operacional, com 400 empregos de alta qualificação técnica para gerenciar o centro de dados.
Para viabilizar este centro de dados, a Voltalia já havia firmado um contrato estratégico junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para assegurar uma capacidade de conexão de 322 megawatts (MW) no Complexo do Pecém. Adicionalmente, o projeto traz inovações em sustentabilidade, planejando a adoção de água de reuso para realizar o resfriamento dos milhares de servidores e equipamentos térmicos. A operação integrada faz parte de um plano macro que deve elevar as exportações brasileiras de serviços digitais e sustentáveis.
A escolha do estado do Ceará e, especificamente, do perímetro da ZPE Ceará deve-se a uma combinação de fatores geográficos e tributários imbatíveis no cenário global: o Hub de Fibra Óptica, pois Fortaleza é o principal ponto de chegada de cabos submarinos de fibra óptica internacionais das Américas, permitindo tráfego de internet ultrarrápido; a Isenção de Impostos, pelo fato de estar operando sob o regime de Zona de Processamento de Exportação, o projeto desfruta de suspensão e isenção tributária para importar servidores, memórias e placas de processamento gráfico (GPUs); e a Abundância de Energia Renovável, porque a forte vocação cearense na geração de energias solar e eólica fornece o lastro de “energia verde” essencial para a descarbonização das gigantes de tecnologia.

