Em sabatina tensa na Globo, Lula defende gestão fiscal, projeta fim da fila do INSS e reage a perguntas sobre corrupção e investigações familiares

  • 28/08/2026

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou na última quinta-feira, dia 27 de agosto, da rodada de entrevistas com os presidenciáveis promovida pela TV Globo. Conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli ao vivo nos Estúdios Globo, a sabatina foi marcada por embates diretos sobre a agenda econômica, segurança pública e investigações de corrupção.

O bloco inicial concentrou os momentos mais duros da entrevista. Questionado sobre os inquéritos que envolvem seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), Lula adotou uma postura pragmática. Afirmou de forma direta que, caso seu filho tenha cometido qualquer ato ilícito, deverá pagar legalmente por seus erros. Defendeu que as investigações de órgãos competentes corram de forma autônoma e sem interferências políticas.

Houve também um princípio de atrito quando o passado político veio à tona. Lula declarou que não se esquece do “PowerPoint” utilizado pela Operação Lava Jato contra ele, provocando uma intervenção de César Tralli, que pontuou as diretrizes e retratações editoriais da emissora antes de prosseguir com os questionamentos do dia.

Na área fiscal, o presidente entrou em rota de colisão com a bancada ao rebater perguntas de Renata Vasconcellos sobre o endividamento público e o controle de gastos. Lula evocou seus mandatos anteriores, destacando que sempre entregou superávits nas contas públicas. “Se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”, rebateu.

Um dos grandes destaques da noite foi o anúncio de uma meta central de seu terceiro mandato. O petista assegurou que o governo irá zerar a fila de espera da Previdência Social já na próxima semana, reduzindo o tempo padrão para o patamar técnico normal de atendimento.

O candidato descartou veementemente qualquer possibilidade de privatização dos Correios, demonstrando confiança na reestruturação financeira das empresas públicas. Ao ser confrontado sobre os índices de violência na Bahia, estado governado pelo PT há duas décadas e que concentra altos índices de letalidade, Lula considerou a abordagem injusta. Ele argumentou que a criminalidade organizada se tornou um desafio nacional estrutural e que nenhum governador sozinho consegue conter o avanço das facções criminosas. Como solução de longo prazo, defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública.

Na educação, o presidente Lula exibiu com entusiasmo dados sobre o pacto nacional com prefeituras, apontando que as metas federais de alfabetização na idade certa superaram os 66% no período recente.