Após pressão por elo com Daniel Vorcaro, ministro André Mendonça deixa sociedade de seu instituto privado que recebeu R$ 8,2 milhões em verba pública nos últimos dois anos

  • 03/09/2026

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter. A decisão foi formalizada em meio ao aumento da pressão política e do escrutínio público após a revelação de que o magistrado se reuniu na sede da própria instituição de ensino com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Mendonça e sua esposa, Janei Mendonça, vão transferir integralmente as suas cotas societárias sem nenhuma contrapartida financeira. Em nota pública, a defesa do ministro informou que a escola passará a funcionar como uma entidade sem fins lucrativos e com foco exclusivamente voltado a ações sociais e educacionais. O integrante da Suprema Corte declarou que nunca auferiu lucros com a operação do negócio e que passará a atuar estritamente como professor acadêmico dentro do instituto.

O recuo societário do ministro ocorre em um momento em que as finanças do Instituto Iter se tornaram o principal alvo de questionamentos e investigações na imprensa. Criado no final de 2023, o instituto privado de cursos jurídicos e capacitação faturou alto por meio de contratações diretas com órgãos da administração pública em todo o país.

Levantamentos de auditorias e portais de transparência apontam que, em apenas dois anos, o instituto de André Mendonça recebeu R$ 8,2 milhões em verba pública. Ao todo, a escola acumula mais de 50 contratos com estados e prefeituras, sendo a esmagadora maioria deles (mais de 98%) celebrados sem a necessidade de licitação prévia, sob a justificativa jurídica de inexigibilidade de concorrência.

Além da soma global milionária, chamou atenção o perfil das contratações diretas ligadas a cúpulas políticas regionais e nacionais. Entre os maiores acordos firmados pelo Instituto Iter, uma entidade controlada e ligada politicamente a partidos do Centrão contratou o instituto de Mendonça por R$ 2,4 milhões para prestação de serviços educacionais de formação e MBAs a servidores.

Os repasses e a proximidade do ministro com figuras sob investigação geraram intensos debates nos bastidores do Poder Judiciário sobre o conflito de interesses de magistrados que administram escolas de negócios paralelas à função jurisdicional na mais alta Corte do país.