PF deflagra operação contra deputado Cezinha de Madureira por suposta venda de influência no STF. Suspeito é aliado íntimo do ministro André Mendonça

  • 14/09/2026

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, dia 14 de setembro, a terceira fase da Operação Transparência, tendo como principal alvo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). A pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, a ação investiga um suposto esquema em que o parlamentar usava seu cargo público para comercializar facilidades e prometer decisões favoráveis junto a magistrados de tribunais superiores. O caso ganha forte repercussão política devido à conhecida proximidade de Cezinha de Madureira com o ministro do STF André Mendonça, magistrado frequentemente alvo de críticas e acusações por parte da oposição de atuar para blindar o clã Bolsonaro de investigações na Suprema Corte.

De acordo com a decisão de Flávio Dino, que fundamentou os quatro mandados de busca e apreensão cumpridos em Brasília e em São Paulo, há indícios contundentes de que o deputado praticava os crimes de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

As investigações da PF revelaram que Cezinha de Madureira utilizava o trânsito político e a relevância de suas funções legislativas para convencer terceiros de que tinha controle e “canal direto” sobre votos de ministros em cortes como o STF, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mensagens interceptadas com autorização judicial no aparelho celular de Mariângela Fialek, ex-assessora parlamentar e apontada como operadora do grupo, detalham como os valores eram precificados. O esquema cobrava valores milionários atrelados ao resultado das ações judiciais. Foram mapeadas negociações paralelas de R$ 500 mil para a obtenção de uma decisão específica em Reclamação no STF, R$ 1 milhão em honorários de fachada, e até R$ 2 milhões caso o congressista conseguisse articular a revogação de uma prisão preventiva.

Flávio Dino também anexou ao inquérito a apreensão recente de R$ 510 mil em espécie confiscados pela PF no Aeroporto de Congonhas (SP) com a advogada Valéria Rodrigues Linhares, ligada ao parlamentar. A suspeita é de que o montante seja fruto do pagamento de propina fora do sistema bancário.

O ministro Flávio Dino e a Polícia Federal ressaltaram, contudo, que nenhum magistrado é considerado suspeito ou alvo da operação. Os nomes dos ministros eram utilizados de forma unilateral pelos investigados para “vender a fumaça” do prestígio político.

O desdobramento da operação coloca os holofotes diretamente sobre a relação estreita entre Cezinha de Madureira e o ministro André Mendonça. Ambos compartilham de forte trânsito no segmento evangélico e atuam em estreita parceria política há anos.

Recentemente, veio a público que foi o próprio deputado Cezinha quem intermediou encontros privados de Mendonça com empresários e banqueiros em São Paulo, fora da agenda oficial do Supremo. Essa proximidade adensa o desgaste sobre Mendonça, cuja atuação no STF é rotineiramente contestada por setores jurídicos e políticos que o acusam de operar como um “defensor avançado” dos interesses da família do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados mais fiéis.

A acusação de que o ministro atua para paralisar ou mitigar o avanço de investigações contra o clã Bolsonaro serve agora de pano de fundo para uma crise institucional, na medida em que um de seus principais interlocutores políticos é pilhado pela Polícia Federal negociando, justamente, suposta facilidade no gabinete de magistrados.