Ministros do STF cobram de Edson Fachin julgamento conjunto de envolvidos do Caso Master na Corte. Flávio Dino só deve devolver vistas depois das eleições presidenciais

  • 23/09/2026

Um grupo de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), liderado por uma articulação entre Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, sugeriu formalmente ao presidente e relator da Corte, Edson Fachin, que unifique e julgue de forma conjunta as ações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ambos viraram foco de apurações internas decorrentes dos desdobramentos do chamado “Caso Master”. Após revelações de mensagens no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, outros ministros também viraram alvo como Nunes Marques e Luiz Fux.


Em paralelo à discussão sobre a fusão dos processos, os bastidores do Tribunal indicam que o ministro Flávio Dino só deve devolver o pedido de vista sobre o julgamento de Alexandre de Moraes após as eleições presidenciais. A estratégia visa retirar o STF do olho do furacão político, evitando que a análise das condutas dos magistrados inflame o debate eleitoral nas ruas e palanques.


O núcleo da crise reside na análise da PET 1662. De um lado, a Polícia Federal investiga supostas mensagens de Alexandre de Moraes ligadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Do outro, Moraes acusa André Mendonça de cometer crimes de responsabilidade e abuso na condução da “Operação Compliance Zero”, que originalmente quebrou o sigilo e identificou os interlocutores do caso.


O presidente do STF, Edson Fachin, defendeu categoricamente manter os julgamentos separados. Fachin entende que as petições tratam de escopos jurídicos distintos, posição que foi acompanhada pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia, formando um placar inicial de 4 a 3 contra o apensamento.


Contudo, os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin divergem frontalmente do relator. Eles argumentam que, por envolverem a mesma matriz de fatos e investigações cruzadas onde os ministros “investigam uns aos outros”, a análise unificada por um novo relator, definido por sorteio, seria a única saída para garantir a neutralidade institucional do STF.


Com o debate acalorado e trocas de farpas diretas no plenário, o pedido de vista surge como um mecanismo de freio de arrumação. A sinalização de Flávio Dino de segurar os autos do caso envolvendo Alexandre de Moraes até o término do processo eleitoral busca esfriar os ânimos.


Fontes ligadas ao Tribunal apontam que o julgamento conjunto ou o desfecho isolado de Moraes, se pautados agora, correriam o risco de ser instrumentalizados por campanhas políticas. Ao empurrar a devolução das vistas para depois do pleito, a ala mais política do STF tenta blindar a Corte de maiores desgastes e garantir um ambiente de maior estabilidade institucional para proferir uma decisão definitiva sobre o Caso Master.