Lula recebe apoio de artistas no Rio de Janeiro, propõe PEC para blindar a Cultura e defende “revolução” nas periferias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de uma Emenda Constitucional para transformar a cultura em uma política permanente de Estado. A declaração ocorreu na noite de quarta-feira, dia 23 de setembro, durante um ato de campanha na Fundição Progresso, na Lapa, no Rio de Janeiro. O evento reuniu cerca de 100 artistas, intelectuais e influenciadores de peso, como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Gloria Pires e Caio Blat.
O principal compromisso apresentado por Lula no evento visa proteger o setor de futuras oscilações políticas e tentativas de desmonte. O presidente relembrou a extinção do Ministério da Cultura (MinC) em gestões anteriores para justificar a necessidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
De acordo com o presidente, a mudança na Constituição Federal é o mecanismo mais seguro para garantir a perenidade dos programas e recursos. Ele pediu que os parlamentares presentes deem início aos debates legislativos para estruturar a proposta.
Além da blindagem jurídica do setor, o plano foca na descentralização dos investimentos artísticos. Lula criticou a histórica concentração de equipamentos culturais, como teatros, cinemas, bibliotecas e centros criativos, nas regiões centrais e de maior poder aquisitivo das grandes capitais brasileiras.
A meta apresentada é levar essa infraestrutura diretamente para as comunidades e periferias. O governo projeta a cultura não apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta de inclusão socioeconômica, capaz de oferecer novas oportunidades a jovens da periferia e dar palco a talentos locais.
O ato faz parte de um movimento amplo de apoio à reeleição do presidente às vésperas do pleito de outubro. Dias antes do encontro na Lapa, um manifesto assinado por centenas de profissionais do setor reiterou o apoio a Lula, mas incluiu um tom crítico com demandas urgentes para a pasta.
Os principais pontos cobrados pelos artistas incluem protagonismo econômico, vom integração da cultura à agenda de reindustrialização do país.Regulação de plataformas; atuação firme contra o domínio do mercado audiovisual por grandes corporações globais e big techs e pedidos explícitos ao governo pelo fim ou restrição severa das plataformas de apostas online (bets), pauta que também ecoou nos discursos políticos do evento no Rio de Janeiro.

