Incêndio atinge prédio de pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco um dia após atos pró-Lula e ameaças de bomba contra estudantes

  • 08/10/2026

Um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Zona Oeste do Recife, na noite desta quarta-feira, dia 7 de outubro. O incidente ocorreu menos de 24 horas após os estudantes realizarem uma forte mobilização em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais.

O clima no campus é de extrema apreensão, visto que, horas antes do início das chamas, alunos relataram o recebimento de mensagens com ameaças explícitas de violência e ataques com bombas.

De acordo com capturas de tela compartilhadas por estudantes e confirmadas por lideranças políticas, mensagens anônimas enviadas a grupos da comunidade acadêmica continham ameaças de “explodir o departamento”. Os textos faziam referências explícitas ao nome do candidato adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), e atacavam diretamente os setores mobilizados na universidade.


As intimidações começaram a circular logo após o Diretório Central dos Estudantes (DCE UFPE) liderar um ato político na terça-feira, dia 6, que reuniu centenas de alunos em defesa da educação pública e da democracia. O levante na UFPE faz parte de uma articulação nacional de universitários que ganhou força em diversos estados nesta reta final da campanha eleitoral.

O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas à Cidade Universitária para conter o fogo. Embora as autoridades tenham confirmado que não houve feridos, o impacto material e científico foi devastador. O prédio atingido abrigava laboratórios que concentravam amostras e projetos de pesquisas científicas de anos. Relatos preliminares apontam para a perda total de materiais focados em estudos sobre Câncer, Autismo e TDAH, obesidade e Covid-19.


O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, indicou em pronunciamento inicial que o prejuízo estrutural e tecnológico na área de saúde pode ultrapassar a marca de R$ 100 milhões. Parlamentares e entidades de direitos humanos informaram que estão formalizando pedidos junto à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) para que uma investigação rigorosa e independente seja conduzida imediatamente.