Decisões monocráticas do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, beneficiam campanha de Flávio Bolsonaro em meio a escândalo de prostituição e corrupção

  • 14/10/2026

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, tornou-se o centro de graves acusações que misturam suspeitas de favorecimento judicial à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) e denúncias de envolvimento com uma rede de prostituição e corrupção capitaneada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

No último domingo, dia 11 de outubro, o ministro Nunes Marques atendeu de forma monocrática a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e determinou o bloqueio do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, um espaço de mobilização gerido pelo deputado federal André Janones que contava com mais de 3 milhões de seguidores.

Nunes Marques justificou o ato alegando que a estrutura era usada para replicar conteúdos inverídicos. A medida gerou reação da ala progressista e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou as decisões recentes como “tendenciosas”.

A decisão monocrática de Nunes Marques, contudo, foi rapidamente contestada dentro da própria Corte Eleitoral. Membros internos do tribunal expressaram incômodo com o aparente engajamento do presidente do TSE na pauta da candidatura bolsonarista e cobraram que a decisão fosse para o Plenário da Corte. O canal “Exército do Lula” permanece suspenso por 48 horas.

Paralelamente ao embate eleitoral, Nunes Marques lida com os desdobramentos de uma investigação da Polícia Federal (PF) baseada em dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Grupo Master. As mensagens interceptadas apontam Vorcaro como operador de uma rede de prostituição e recrutamento ilegal de mulheres, além de sugerirem o pagamento de vantagens indevidas.


Relatórios da PF revelam diálogos sobre uma suposta orgia paga por Vorcaro em um triplex com a presença do ministro, além de menções a repasses mensais de R$ 500 mil que teriam como destino o advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Diante da gravidade dos indícios enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), deputados federais protocolaram pedidos formais de investigação para apurar a conduta do magistrado.


Em nota oficial, o ministro Kássio Nunes Marques negou veementemente qualquer relação espúria com Daniel Vorcaro.