Ausente da votação no Senado, Flávio Bolsonaro e PL prometem projeto para contrapor o fim da escala 6×1 com pagamento por hora trabalhada
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), esteve ausente no plenário do Senado durante as sessões de discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada 6×1. O parlamentar cumpriu agenda de campanha eleitoral em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
No entanto, diante do apelo popular e da pressão política trazida pela proximidade do segundo turno, Flávio registrou sua presença no sistema eletrônico e votou favoravelmente ao projeto por meio de votação remota. A PEC, que foi aprovada no Senado Federal em dois turnos por 75 votos a favor e apenas um contra do senador Hamilton Mourão.
Anteriormente, Flávio Bolsonaro mantinha uma postura crítica em relação à proposta de extinção da escala 6×1, classificando o avanço do texto, que se tornou bandeira do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, como “oportunista” e prejudicial para o empresariado nacional. A mudança de posicionamento do presidenciável ocorreu após uma visita ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e serviu como uma estratégia de contenção de danos para conter o desgaste eleitoral na reta final da disputa.
A decisão de apoiar o texto e, ao mesmo tempo, planejar alterações futuras foi alvo de duras críticas por parte da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), uma das principais articuladoras da PEC. A parlamentar acusou a campanha de Flávio de “subir nas tamancas” por acreditar que a eleição já está vencida e que a maioria parlamentar será usada posteriormente para reverter conquistas do trabalhador.
Apesar de ter dado voto favorável ao texto final da PEC, Flávio Bolsonaro e a liderança do Partido Liberal (PL) sinalizaram ao setor empresarial que pretendem alterar profundamente a estrutura das relações trabalhistas no Brasil, caso vençam as eleições presidenciais.
A proposta do grupo político baseia-se em um projeto do senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê remuneração proporcional. O pagamento seria vinculado estritamente às horas efetivamente trabalhadas, abrindo brecha legal para a redução salarial caso o empregado opte por jornadas menores.
Também propõe alternativa à CLT. O modelo funcionaria de maneira opcional. O trabalhador escolheria assinar um contrato sob as regras rígidas da CLT ou aderir ao formato de “escala flexível”. Flávio Bolsonaro defende negociação direta. Acordos individuais entre patrão e empregado teriam preferência sobre deliberações sindicais e convenções coletivas.

