Primeiro debate do 2º turno entre Lula e Flávio na Band é marcado por ataques, tensão e poucas propostas
O primeiro debate presidencial na TV do segundo turno das eleições 2026, realizado pela Band neste domingo, dia 18 de outubro, colocou frente a frente o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O encontro foi classificado por analistas políticos como “caótico” e “tenso”, caracterizado pelo predomínio de acusações mútuas e ataques pessoais em detrimento da apresentação de propostas. A apenas uma semana da votação marcada para 25 de outubro, com as pesquisas indicando um empate técnico na liderança, o confronto direto expôs a profunda polarização do cenário político brasileiro.
O formato do debate permitiu que os candidatos controlassem seu próprio tempo no estúdio. A estratégia provocou momentos de tensão logo no primeiro bloco. Lula adotou uma postura ofensiva, chamando o adversário de “miliciano” e resgatando controvérsias de segurança pública vinculadas à atuação de Flávio. Em contrapartida, o senador buscou o desgaste do governo petista ao focar em temas de corrupção, mencionando nominalmente Sergio Moro e Deltan Dallagnol presentes no auditório. Flávio também ironizou a situação penal anterior de Lula e levantou suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís (Lulinha).
No segundo bloco, discussões sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), direitos trabalhistas e segurança pública ganharam espaço. Quando questionado sobre a saúde, Flávio afirmou que indicaria Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, para chefiar o Ministério da Saúde.
O debate também abordou a escala de trabalho 6×1, cuja emenda pelo fim da jornada havia sido pautada no Congresso com apoio do governo. Em uma mudança pública de posição, Flávio Bolsonaro declarou que passou a apoiar a matéria após ouvir apelos dos trabalhadores. Lula reagiu ironizando o adversário, alegando que o senador “só conhece o trabalhador por literatura” e questionando seu histórico profissional.
No terceiro bloco, o tom voltou a subir. Lula lançou um desafio direto ao sugerir que ambos apresentassem publicamente os sigilos bancário e telefônico próprios e de seus familiares para comprovar a lisura de suas evoluções patrimoniais. Flávio optou por desviar do desafio e redirecionou a fala para propostas de segurança, prometendo classificar facções criminosas como narcoterroristas e criar 500 mil vagas no sistema prisional. Já Lula reforçou seu plano de estruturar um Ministério da Segurança Pública.

