Sob pressão, Flávio Bolsonaro rejeita desafio de Lula sobre abrir sigilos bancário e telefônico, enquanto escritório de advocacia dele entra na mira da PF

  • 21/10/2026

Sob pressão popular e dos adversários, o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) decidiu que não aceitará o desafio de quebra voluntária de sigilos bancário e telefônico proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Paralelamente à tensão política, a campanha do parlamentar enfrenta o desgaste provocado por uma investigação da Polícia Federal (PF), que mira o faturamento de R$ 14 milhões do escritório de advocacia de Flávio durante o seu mandato no Senado.

O embate teve início no debate da TV Band. Na ocasião, em meio a acusações mútuas de corrupção, o presidente Lula desafiou o oponente: “Desafio você: amanhã, abrimos nossas contas bancárias e nossos sigilos telefônicos, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão”.


A proposta de Lula estendeu-se aos familiares de ambos os lados. Nesta terça-feira, dia 20 de outubro, a campanha petista protocolou formalmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a autorização para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos de Lula e de seus familiares, vinculando a divulgação pública à mesma contrapartida por parte do candidato do PL.


Embora tenha declarado no debate que não possui “absolutamente nada a esconder”, aliados da campanha de Flávio Bolsonaro confirmaram que ele não vai aderir à proposta. Interlocutores do candidato classificaram a iniciativa de Lula como um “factoide” e uma “armadilha” eleitoral desenhada para desgastar a imagem do senador nos dias que antecedem a votação decisiva.

A recusa em expor as contas coincide com a revelação de dados inéditos sobre as finanças do parlamentar. De acordo com levantamento obtido pelo portal UOL, a firma Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia emitiu ao menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, período em que ele exercia seu mandato legislativo.


A movimentação financeira originou um inquérito da Polícia Federal, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). O que chamou a atenção dos investigadores e analistas de controle foi a natureza dos repasses:

Falta de atividade judicial: Consultas realizadas nos sistemas de tribunais estaduais, federais e superiores localizaram apenas um processo judicial formal com a atuação do senador para os clientes listados.

Descrições genéricas: A grande maioria das 62 notas fiscais emitidas pela banca traz somente o termo genérico “assessoria jurídica”, sem especificar quais serviços foram efetivamente prestados.

Parcerias políticas: Metade do faturamento veio de pagamentos feitos por outros escritórios de advocacia. O maior cliente individual da banca (responsável por R$ 4 milhões) pertence a Edvaldo Nilo de Almeida, advogado indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a Comissão de Ética Pública da Presidência em 2022.

A principal linha de apuração da PF foca no suposto compartilhamento de contas bancárias entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Emails interceptados pela corporação indicam que o senador constava como “usuário master” de uma conta vinculada ao escritório do colega no banco Santander. A PF suspeita de conexão financeira e possível ocultação de valores, hipótese que é integralmente negada pelas defesas de ambos.