Debate da Globo entre Lula e Flávio Bolsonaro pode ter definido o voto de quem ainda estava indeciso. Neste domingo, se decide o futuro da democracia no Brasil
O último debate presidencial do segundo turno de 2026 na TV Globo, nesta sexta-feira, dua 23 de outubro, foi marcado por tensões, ofensas pessoais e checagem de fatos sobre as declarações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Veículos e agências de verificação apontaram imprecisões e dados distorcidos em falas de ambos os candidatos durante o confronto, com o candidato bolsonarista liderando nas informações falsas relatadas durante o confronto.
Em um momento marcante, o senador Flávio Bolsonaro atacou de forma preconceituosa e capacitista o presidente Lula durante o debate ao recorrer a uma referência aos nove dedos do petista para criticar a política tributária do governo. Em meio à discussão sobre o poder de compra dos trabalhadores, o candidato afirmou que Lula “dá com uma mão e tira com os nove dedos”, em uma alusão à carga de impostos no país.
A declaração pegou mal para Flávio Bolsonaro, que ainda passou por outra situação embaraçosa. Lula confrontou Flávio Bolsonaro sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de matar a menina Ana Clara, no Rio de Janeiro. A mãe da menina esteve na plateia do devate na TV Globo. O petista questionou por que o adversário havia assumido a defesa do agente envolvido no caso e também relembrou a homenagem concedida pelo senador ao miliciano Adriano da Nóbrega na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Ao responder às críticas, Flávio Bolsonaro procurou manifestar solidariedade à família, mas acabou chamando a mãe da menina pelo nome da filha morta, Ana Clara. O senador também contestou a responsabilidade do policial cuja defesa havia assumido.
Lula, por sua vez, chamou o adversário de “miliciano”, afirmou que Flávio ficou “lambendo o Trump” durante a imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O petista cobrou explicações do senador bolsonarista sobre suas posições em relação ao Bolsa Família, à ampliação da licença-maternidade e ao Sistema Único de Saúde (SUS). Lula também questionou a proposta econômica do adversário, especialmente os cortes orçamentários e as medidas anunciadas para enfrentar o endividamento das famílias. Flávio admitiu os cortes, mas negou que vai prejudicar os programas sociais. Só que não explicou de onde vai tirar o dinheiro do “tesouraço”.
Na avaliação geral, Lula teve um desempenho melhor do que Flávio Bolsonaro que, sob orientação do governador reeleito de São Paulo, Tarcisio de Freitas, se mostrou mais moderado que no debate da TV Band. O encontro da Globo pode ter contribuído para que eleitores indecisos possam ter feito uma escolha em quem votar neste domingo, dia 25 de outubro. Que a Democracia fale mais alto!

