Em virada inédita, Lula vence Flávio Bolsonaro e conquista o quarto mandato presidencial
Em uma reviravolta sem precedentes na história política recente do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para o seu quarto mandato à frente do Poder Executivo brasileiro. O resultado oficial foi consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite deste domingo, dia 25 de outubro. Com 100% das urnas apuradas, o petista alcançou 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), superando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 48,21% (59.826.041 votos).
Esta eleição entra para a história como a primeira vez, desde a redemocratização do Brasil, in que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar consegue reverter o placar e vencer o pleito. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia liderado com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula.
O fechamento das urnas e a apuração final foram marcados por momentos de tensão após uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação por mais duas horas nas seções que ainda registravam filas após as 17h, devido a problemas relatados no transporte público em diversos estados. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, referendou a extensão para as urnas que permaneciam abertas. Em pronunciamento após o resultado, Flávio Bolsonaro contestou a medida e declarou que seu partido pedirá a anulação do pleito.
Analistas políticos apontam que a vitória di Lula foi impulsionada por uma forte mobilização digital organizada na reta final do segundo turno, além de uma expressiva redução nos índices de abstenção, que caíram para 19,21%, o menor patamar registrado em um segundo turno desde 2006. Numericamente, Lula conquistou mais de 10,3 milhões de novos votos entre os dois turnos, consolidando sua liderança em todos os estados do Nordeste e conseguindo uma virada estratégica em Minas Gerais, estado considerado um termômetro eleitoral do país.
Aos 81 anos, Lula se consolida como a figura central da política brasileira no século XXI. Em seu discurso de vitória, o presidente adotou um tom ambicioso, prometendo realizar “o melhor mandato da história do país” e indicando que a segurança pública e a comunicação digital direta com a população serão pilares da nova gestão.
No entanto, o governo que se inicia enfrentará um cenário complexo. O petista terá pela frente um Congresso Nacional majoritariamente conservador, após o Partido Liberal (PL) ter conquistado as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado no primeiro turno. Esse desenho do Legislativo exigirá intensa articulação política para a aprovação de reformas e para acomodar no orçamento as promessas sociais e econômicas feitas durante a campanha.

