Após vitória de Lula, Donald Trump questiona urnas brasileiras e Javier Milei silencia. Cerca de 48 líderes mundiais reconhecem eleição do petista
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial do Brasil gerou intensas e contrastantes reações no cenário internacional. Proclamado reeleito pelo Tribunal Superior Eleitoral com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro, o petista recebeu os cumprimentos de dezenas de chefes de Estado ao redor do mundo. Em contrapartida, as principais forças conservadoras das Américas adotaram posturas de forte contestação ou rejeição diplomática.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que manteve uma postura de observação durante a campanha, quebrou o silêncio para lançar suspeitas sobre a lisura do pleito brasileiro. Em declarações a jornalistas na Casa Branca, Trump ecoou o discurso dos aliados de Flávio Bolsonaro e criticou a extensão do horário de votação determinado pela justiça brasileira.
“Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”, afirmou o líder norte-americano, classificando a organização do pleito como “muito estranha” e “terrível”. Apesar de atacar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, Trump ponderou que possui um bom canal pessoal com o governante brasileiro. “Eu só pensei que a eleição foi… eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele”. O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, rebateu publicamente os comentários, classificando a opinião de Trump como “totalmente equivocada” e defendendo a segurança jurídica das urnas eletrônicas.
Na América do Sul, o presidente da Argentina, Javier Milei, tornou-se o único chefe de Estado da região a não reconhecer a vitória de Lula. Alinhado historicamente à família Bolsonaro, Milei optou por ignorar formalmente o resultado oficial proclamado pelas autoridades brasileiras.
Em vez de emitir um comunicado de Estado, o líder argentino recorreu às redes sociais para replicar publicações de terceiros que classificavam o processo eleitoral no Brasil como “fraude” e faziam comparações depreciativas entre o governo de Lula e o regime venezuelano. Antes mesmo da votação, a relação bilateral já enfrentava forte desgaste após Milei proferir seguidos ataques pessoais ao presidente brasileiro.
Como reflexo desse distanciamento, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil optou por reter o embaixador brasileiro em Buenos Aires, congelando as tratativas diplomáticas de alto escalão.
Apesar do silêncio de Buenos Aires e dos questionamentos vindos de Washington, o Palácio do Planalto minimizou o impacto das contestações externas, ancorando-se no amplo reconhecimento internacional que se consolidou poucas horas após o fechamento das urnas. Ao menos 48 líderes mundiais já enviaram felicitações formais a Lula.
O apoio internacional evidenciou uma quebra de barreiras ideológicas, vindo tanto de governos progressistas quanto de líderes conservadores que compõem o chamado bloco de direita da América Latina.
Presidentes de direita e centro-direita como José Antonio Kast (Chile), Keiko Fujimori (Peru), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai) prontamente reconheceram o resultado e defenderam a continuidade dos projetos de integração comercial e combate ao crime organizado. Da ala progressista, Claudia Sheinbaum (México) celebrou a reeleição como uma “lufada de ar fresco” para o continente.
Chefes de governo de potências europeias saudaram a preservação da democracia e do multilateralismo. O presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, o chanceler federal alemão Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enviaram comunicados oficiais reforçando parcerias estratégicas em comércio e clima.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a Chancelaria da China e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, parabenizaram o brasileiro, destacando o protagonismo do Brasil no avanço do Sul Global e o fortalecimento do bloco econômico do qual fazem parte. O presidente Volodymyr Zelensky também se manifestou, agradecendo o apoio do Brasil à soberania territorial e expressando o desejo de expandir a cooperação entre as nações.

