EUA impõem nova taxa de 12,5% sobre produtos do Brasil e de mais 59 países

  • 23/07/2026

O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, anunciou um novo imposto de 12,5% sobre produtos importados do Brasil. A medida entra em vigor nesta sexta-feira, dia 24 de julho, e faz parte de uma grande ofensiva comercial que atinge, ao todo, 60 parceiros comerciais. A decisão foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) após uma longa investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O argumento central de Washington é de que as nações afetadas falharam em proibir e fiscalizar com eficácia o trabalho forçado em suas cadeias globais de suprimentos.


O maior temor dos exportadores e do Ministério da Fazenda se confirmou: a nova tarifa de 12,5% será cumulativa. Como uma sobretaxa de 25% já havia entrado em vigor na quarta-feira, dia 22, sob a alegação americana de que o Brasil pratica concorrência desleal ao priorizar o Pix e proteger o mercado de etanol, o imposto total cobrado pelos EUA sobre os bens brasileiros pode alcançar a marca histórica de 37,5%.Em declaração oficial, o embaixador e representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que “décadas de persuasão moral não erradicaram o trabalho forçado” e que a medida visa equalizar o mercado para proteger os trabalhadores americanos.

O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores rebateram as conclusões da Casa Branca. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as sanções econômicas como “desproporcionais” e ressaltou que o Brasil possui uma das legislações e fiscalizações mais rigorosas do mundo contra o trabalho escravo.

Para mitigar o severo impacto econômico sobre os exportadores, o governo brasileiro está adotando duas frentes de ação imediata. O Governo Federal anunciou a aceleração de pacotes de apoio financeiro e linhas de crédito subsidiadas para socorrer as indústrias nacionais afetadas pelas barreiras alfandegárias e busca a diversificação de mercados. A estratégia foca em desviar o fluxo das exportações que perderam competitividade nos EUA para novos compradores globais e blocos econômicos alternativos.

A equipe jurídica e econômica estuda acionar os mecanismos da Lei da Reciprocidade Econômica e buscar arbitragem junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora uma negociação bilateral direta com Washington seja considerada viável apenas a médio prazo.

O governo brasileiro classificou como arbitrária e injustificada a nova tarifa de 12,5% anunciada pela administração de Donald Trump com base em alegações relacionadas ao trabalho forçado. A sobretaxa eleva nominalmente a cobrança sobre os produtos atingidos a 37,5% e levou o Planalto a preparar uma resposta pela Lei de Reciprocidade e pela Organização Mundial do Comércio (OMC).